ZECA AFONSO E GUIMARÃES

por TORCATO RIBEIRO 

Dirigente Político do PCP

 

Em 24 de Fevereiro de 2017 a Assembleia Municipal de Guimarães aprovou por maioria, uma moção apresentada pelo BE, «recomendando à camara municipal de Guimarães a realização dum evento alusivo a Zeca Afonso e à sua obra».

Esta moção lida assim, a seco, parece insinuar que Guimarães e as suas gentes se têm esquecido deste grande compositor. Mas bastará fazermos um pequeno esforço de memória sobre a actividade associativa vimaranense, e a realidade demonstra que não é assim, antes pelo contrário. Zeca Afonso tem estado regularmente presente na memória dos vimaranenses através de iniciativas realizadas por diversas instituições culturais, algumas delas até com apoio municipal. A confirmar  o que escrevo, no dia 22 de Fevereiro de 2017, dois dias antes da apresentação desta moção, o Convívio, com o apoio da AJA Norte assinalou  a data da morte do artista com uma iniciativa que contou com a presença  de Arnaldo Trindade editor da sua principal discografia, e  um espectáculo musical com os alunos da escola de Jazz desta associação. O CAR tem igualmente assumido nos últimos anos um papel importante, envolvendo várias instituições,  na divulgação da obra do cantor e na realização de eventos de homenagem ao autor da Grandola. Estas iniciativas com maior ou menor dimensão contaram com a participação de várias instituições, para além das vimaranenses, de dimensão nacional como a Associação José Afonso e a  Associação 25 de Abril e de inúmeros artistas locais e nacionais onde destaco a participação de José Mário Branco, Manuel Freire, Pedro Barroso, Amélia Muge, Francisco Fanhais, o Helder Costa, o“nosso” Tino Flores e o igualmente “nosso”  Dino Freitas, e muitos outros que generosamente têm dedicado parte da sua vida à promoção e divulgação da obra do Zeca.

O cantor José Afonso esteve em Guimarães por diversas vezes ao longo da sua, infelizmente curta, vida. No inicio da década de setenta a convite de um grupo de jovens da  Assembleia de Guimarães, ainda debaixo da ditadura e depois da revolução de Abril, que utilizou como senha a canção Grândola Vila Morena, de sua autoria, Zeca Afonso veio prestar solidariedade aos trabalhadores da Cooperativa Fogo Posto, denominação atribuída à fábrica têxtil Sousa Abreu, e foi aqui que actuou em 1979 no aniversário do Jornal O Povo de Guimarães, acompanhado pelo Fausto Bordalo e  Pedro Guerreiro.

Em 5 de Junho de 1982, esteve em Guimarães pela ultima vez, a convite do CICP – Centro Infantil e Cultural Popular no âmbito da iniciativa Circultura e este seu espectáculo, que contou com o acompanhamento de Júlio Pereira, Janita Salomé e Sergio Mestre, foi o último que realizou fora do ciclo das várias homenagens que lhe fizeram pelo país, ainda em vida.

Sempre que vinha a Guimarães ficava instalado na casa do José Casimiro com quem mantinha uma forte amizade desde os tempos em que foram companheiros na LUAR..

A homenagem que Guimarães pode fazer ao Zeca Afonso hoje, sem precipitações nem condicionalismos que possam prejudicar a qualidade do que se pretende fazer, terá necessariamente de ser diferente.

Porque não, se assim for a vontade de todos, incluir e perpetuar o nome e a obra de Zeca Afonso, de forma digna, na toponímia vimaranense?

 

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