ZERO PARA TODOS

por José da Rocha e Costa

Gestor de empresas

 

Estava a folhear um jornal local quando me deparei com a seguinte notícia: “Um grupo de adeptos do Vitória esteve reunido, na noite de domingo, para discutir as formas de protesto para o jogo com o FC Porto, da 21.ª jornada, marcado para o domingo seguinte. Na origem deste encontro, que juntou sócios anónimos e representantes da claque White Angels, esteve a ideia lançada pelo Movimento Estádio Zero, que, originalmente, pretendia avançar com a iniciativa na partida com o FC Porto. Do encontro, que teve lugar no Café Milenário, saiu a certeza que este grupo de adeptos pretende avançar com a iniciativa em questão, mas que tal apenas deverá acontecer na próxima temporada, uma vez que há um longo caminho pela frente para sensibilizar os adeptos.” (…) “Na próxima temporada, o Movimento Estádio Zero pretende implementar esta iniciativa. A ideia passa por, primeiro, encher as bancadas num jogo com um dos chamados três grandes. Depois, aos 12 minutos, todos os associados devem abandonar o Estádio D. Afonso Henriques, em sinal de protesto.”

Há vários pontos interessantes a assinalar neste artigo. O primeiro é o nome do movimento. Parece que agora o que está a dar é mostrar intolerância em relação a tudo. As forças de segurança têm o seu Movimento Zero, os ambientalistas têm a Associação Ambientalista ZERO e a claque do Vitória tem o Movimento Estádio Zero. Radicalismo é o que está a dar, é zero e ponto.

O segundo ponto interessante é que, em nenhuma parte do artigo se identifica qual o motivo do protesto, diz apenas que “(…) vitorianos de várias idades, que querem agir porque não estão contentes com este estado de coisas”, sem referir em parte alguma que coisas são essas e em que estado é que elas estão.

Mas a parte mais interessante é ler isto depois do jogo acima referido. Durante esta semana ouvi vitorianos dizer que independentemente do que se passou no D. Afonso Henriques em relação a Marega e aos insultos de que foi alvo, o jogador deveria ser punido porque não poderia ter abandonado o relvado daquela forma. Só ao ler este artigo é que consegui finalmente compreender o que me estavam a tentar dizer. Para abandonar o estádio de forma a marcar uma posição, é preciso haver planeamento. Não pode ser assim “à toa”, como Marega fez. No fundo, o que se passou neste caso mediático, foi apenas uma grande falha de comunicação. O abandono do relvado ficou adiado para a próxima temporada, mas Marega não recebeu o memorando e fê-lo completamente a destempo, merecendo por isso ser penalizado. Quanto aos insultos de que foi alvo e que são fruto de uma mentalidade tão milenária como o café, devem também eles ser condenados e as pessoas que os proferiram, devidamente penalizadas.

É com este espírito que deixo aqui o repto para a criação de uma nova associação com o objectivo de combater toda e qualquer forma de discriminação. Até já tenho um nome em mente. E que tal se lhe chamarmos “Racismo Zero”?

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