Zona de Couros celebra três anos de Património Mundial com três dias de programação

Exposições, visitas, percursos, oficinas, concertos e iniciativas comunitárias marcam o terceiro aniversário da inscrição da Zona de Couros na lista do Património Mundial da UNESCO.

@ CMG

Promovido pelo Município de Guimarães, em parceria com A Oficina, Curtir Ciência, Laboratório da Paisagem e Sociedade Martins Sarmento, o programa pretende celebrar o património industrial e cultural de Couros, mas também a sua relação com a água, a natureza, a memória e a comunidade. O programa arranca a 18 de setembro, com a inauguração da exposição “COUROS”, na Sociedade Martins Sarmento, patente até 30 de setembro. A mostra parte do acervo bibliográfico da instituição para destacar o trabalho artístico das encadernações de livros em couro ao longo dos séculos. Ao longo do dia haverá ainda visitas à antiga Fábrica de Curtumes Âncora, atualmente Curtir Ciência, e uma atividade no Museu de Agricultura de Fermentões dedicada à importância dos curtumes na produção de alfaias agrícolas e ferramentas.

A programação passa também pelos Tanques de Couros, com a iniciativa “A vida na ribeira de Couros”, dedicada à biodiversidade e à qualidade da água, e pela oficina “Couros: Memória e Futuro”, que desafia os participantes a refletirem sobre o passado e o futuro daquele território através de postais ilustrados. Às 19h00, no Jardim da Alameda, será inaugurada a exposição “Pela Pele da Cidade”, que apresenta diferentes olhares sobre Couros através do trabalho da artista visual Soraia Oliveira, do fotógrafo Gonçalo Fontes e do tatuador Daniel Kickflip.

A noite termina no CAAA – Centro para os Assuntos da Arte e Arquitetura com o espetáculo comunitário “Dar voz às pedras e à água”, inspirado na memória do Rio de Couros e no seu papel na construção da identidade da cidade.

No dia 19 de setembro, a programação começa com “Peregrinar das águas”, uma caminhada performativa ao longo da Ribeira Costa-Couros, desde a foz até à nascente. Segue-se um percurso pelo património classificado pela UNESCO, entre a Capela de São Crispim e São Crispiniano e as antigas manufaturas de curtumes, bem como a oficina familiar “Da Pele ao Couro”, no Curtir Ciência.

O programa inclui ainda a caminhada “Couros Verde: Natureza Escondida no Património Mundial”, que dá a conhecer a biodiversidade e a infraestrutura verde da zona, e o percurso “Memórias da Zona de Couros”, dedicado à história da antiga atividade industrial. Durante a tarde, o pátio do Curtir Ciência recebe a conversa “Dar Voz à água e às pedras – Património e Educação: o papel dos museus na relação com a comunidade”, com a participação de Maria João Vasconcelos, Maria de Lurdes Rufino e Helena Pinto, sob moderação de Elisabete Pinto.

A música assume depois o protagonismo com o Percurso Co(u)ral, uma arruada que junta o Coro En’Canto, Corué e Modern Choir, seguindo-se dois concertos: às 19h30, na Igreja de São Francisco, com o Corué e o Orfeão de Guimarães, e às 21h30, na Igreja de São Sebastião – Dominicas, com o Modern Choir e o Grupo Coral de Azurém.

No último dia, 20 de setembro, a Casa da Memória recebe, pelas 11h00, a oficina “Curtir o Nosso Mapa”, que cruza memórias pessoais, técnicas tradicionais e trabalho em couro. À tarde, o Curtir Ciência acolhe uma edição especial de “Pátios do Bairro”, reunindo património, arte contemporânea, gastronomia e música, com intervenções de José Teibão, do chef Christian Rullán, do restaurante Le Babachris, e da harpista Angélica Salvi.

O programa termina com o Arraial, às 18h00, no Hall das Salas de Ensaio das Garagens do Teatro Jordão. A criação comunitária junta música, dança e participação, envolvendo A Outra Voz, músicos da Sociedade Musical de Pevidém, alunos da Academia de Bailado de Guimarães, alunos de Português para não falantes da Escola Francisco de Holanda e a comunidade. A iniciativa pretende, assim, celebrar Couros não apenas enquanto património industrial reconhecido internacionalmente, mas como um território vivo, onde memória, natureza, cultura e comunidade continuam a cruzar-se.

A participação em várias atividades é gratuita, mas algumas estão sujeitas a inscrição prévia ou têm lotação limitada.

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