A CULTURA CUSTA CARO AOS MUNÍCIPES

Recentemente foi notícia a inscrição de uma verba, para subsidiar o Centro Internacional de Artes José Guimarães (CIAJG), no Orçamento de Estado para o próximo ano. Apesar das referências frequentes a esta Centro em particular, ele está integrado numa série de infraestruturas geridas pela Oficina.

Consultando o Relatório e Contas, disponível na página de internet da Oficina não é possível desagregar os resultados por cada uma das instalações. Embora se fale do financiamento do CIAJG, não é possível, consultando este documento oficial perceber quanto é que o Centro obteve de receitas, nomeadamente pela venda de bilhetes, organização de eventos, angariação de patrocínios e mecenato. A verba de 300 mil euros para repartir pelos próximos três anos, com que o ministro da cultura se comprometeu, entrará assim nas contas da Oficina como um todo.

No ano de 2016, a Oficina foi financiada em 2 294 331 euros. Deste valor, 1 992 062 euros foram provenientes do contrato com a Câmara Municipal de Guimarães, os restantes 303 269 euros terão vindo de outras entidades não especificadas no documento. A Oficina obteve 264 442 euros de receitas provenientes de vendas e serviços prestados e 213 400 euros de outros rendimentos, não especificados. No total a Oficina teve 2 772 173 euros de rendimentos em 2016, dos quais 86,76% provenientes de subsídios. O contrato estabelecido entra a Câmara Municipal de Guimarães e a Oficina para o ano de 2017 previa um reforço da verba paga pelo Município para 3 287 500 euros. A Oficina gastou com pessoal, em 2016, 1 045 853 euros, que a par com o fornecimento de serviços externos, com 2 435 543 euros, são os maiores gastos da instituição.

Quando se fala do financiamento do CIAJG é frequente falar-se de outras instituições culturais e das verbas que recebem do Estado. O Centro Cultural de Belém (CCB) recebeu a título de subsídios, em 2016, 7 352 000 euros. O CCB obteve, no mesmo ano de 2016, 4 764 000 euros provenientes de vendas e serviços prestados, no total e juntando outros rendimentos residuais o CCB somou de rendimentos 12 559 000 euros. Os subsídios representam 58, 5 % dos rendimentos do CCB. O Centro gasta com pessoal 3 223 000 euros, 5 539 000 euros com fornecimento de serviços externos e somando outras pequenas parcelas de gastos, acaba por chegar a 11 716 000 euros de total de gastos com a exploração. Contas feitas o CCB teve, em 2016, um resultado de exploração de 842 euros e um resultado liquido (depois de amortizações e impostos) de 345 euros negativos.

No caso da Casa da Música, o Relatório e Contas, de 2016, revela que a instituição recebeu subsídios de três entidades, Estado (Ministério da Cultura), Câmara Municipal do Porto e Grande Área Metropolitana do Porto, num valor total de 7 230 000 euros.  Além deste valor a Casa da Música obteve do mecenato e de patrocínios 1 769 150 euros, faturou em eventos 1 682 477 euros, e obteve das suas atividades comerciais 2 108 563 euros. No total os rendimentos da Casa da Música ascenderam a 12 442 935 euros. A subvenção estatal representa 59% dos rendimentos da Casa da Música. Com pessoal, a instituição portuense gastou, em 2016, 6 607 812 euros, na organização de eventos e com custos de funcionamento a Casa gasta 4 985 657 euros. No total a Casa da Música somou 12 329 208 euros de  gastos, em 2016. A Casa da Música teve um resultado antes de amortizações e provisões de 93,72 euros e um resultado líquido de 984,76 euros negativos.

A Oficina até compara bem com as outras duas instituições no que toca a gastos com pessoal. No CCB os gastos com pessoal representam 41,5% dos rendimentos do Centro, no caso da Casa da Música os gastos com pessoal representam mais de metade do valor dos rendimentos. A Oficina gasta menos de 40% do valor dos seus rendimentos com pessoal. Onde a instituição vimaranense tem piores resultados é na geração de rendimentos a partir dos serviços que presta. A Oficina obtém, a partir da vendas e prestação de serviços, 264 442 euros, o que significa, no total dos seus rendimentos, pouco mais de 9%. No caso da Casa da Música a prestação de serviços e as vendas representam mais de 30% dos rendimentos e no CCB estas rubricas aproximam-se dos 40%.

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