2021, um ano de eleições

por Rui Armindo Freitas
Economista e Gestor de Empresas

Apesar das tentativas que faço de encarar com a normalidade possível o período que vivemos, é verdade que quase todas as dimensões da nossa vida, estão desde Fevereiro postas em causa. Assim, devendo todos nós prosseguir a vida em sociedade no cumprimento das regras que nos vão ditando, não devemos permitir que esta espécie de vida em suspenso, nos faça desviar a atenção de tudo aquilo que apesar do momento continua a correr. E de facto continuam a correr tudo que são os prazos e mandatos das nossas instituições, e ainda que em Portugal, fortuitamente, não tenha coincidido nenhum acto eleitoral com este período de pandemia, estou em crer, que no próximo ano este cenário será alterado seguramente. Estou em crer porque no início do próximo ano teremos eleições presidenciais, não se antecipando nenhuma alteração de fundo no contexto pandémico, mas também porque Setembro ou Outubro de 2021, nos trará eleições autárquicas. Se no caso do primeiro acto eleitoral, a cobertura mediática inerente às presidenciais, se encarregará de permitir um quase normal trocar de ideias, já no que toca às autárquicas temo que não seja bem assim. É importante que cedo se comecem a perceber os projectos que irão a sufrágio uma vez que todo o tempo será pouco para discutir, num modelo que trará um distanciamento que não estamos habituados a ter quando se trata de debater a nossa terra. A pandemia já veio mostrar que em muitos casos, algumas liberdades e garantias que tomamos como adquiridas podem ser suspensas em nome de um bem alegadamente maior, contudo não deve ser justificação para nos alhearmos de uma discussão profunda que devemos ter sobre os destinos das nossas terras. E digo das nossas terras no contexto local, por pensar em todos os homens e mulheres, no poder e na oposição, que no âmbito das suas freguesias se dedicam de forma abnegada para contribuir para as suas comunidades. No que toca ao poder concelhio, também esse deve começar a ser escrutinado com a brevidade possível, expurgando os resultados da governação do efeito Covid-19 e não aceitando este efeito para justificar o que dificilmente se justificaria. É necessário que com tempo se entenda que caminhos terá a nossa comunidade, sendo que do poder vigente já sabemos o que esperar. O caminho leva já 8 anos de Domingos Bragança, tempo mais do que suficiente para que qualquer análise possa louvar ou culpar este consulado. É altura de perceber porque é que Guimarães perde sistematicamente população. É altura de perceber porque é que o investimento estrangeiro e de monta chega a Braga a Famalicão ou Santo Tirso e por aqui nada se vê, a não ser estarmos sempre a braços com os problemas de solvência do parque de ciência e tecnologia. É altura de perceber se a Capital Verde Europeia prometida em 2013 tem ou não pernas para andar, quando ainda se assiste a descargas poluentes nos nossos rios. É altura de discutir que coesão territorial podemos ter quando grande parte do nosso território nem servido está de uma rede pública de transportes que possa garantir um fluxo regular entre a sede de concelho e as nossas freguesias. 2021 será um ano de grandes escolhas. Que todos os agentes políticos façam um esforço para que, o escrutínio e o debate sobre a gestão da nossa terra, se façam com normalidade.

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