AS GUALTERIANAS

por TORCATO RIBEIRO 

Dirigente Político do PCP

Estão aí Festas da Cidade e Gualterianas! Com o figurino estrutural criado no ano de 1906 em que pela primeira vez as até então Feiras Francas de S. Gualter contaram com a apresentação da Marcha Milanesa, numero alegórico importado para Guimarães pelo Padre Gaspar Roriz, que cedo se tornou uma das principais atracções das Festas Gualterianas até aos nossos dias. Esta mudança efectuada há mais de um século foi idealizada pela Associação Comercial e Industrial de Guimarães, com o objectivo de travar a apatia e o desinteresse cada vez maior nas festas, agravado de ano para ano e que caminhava, se nada fosse feito em contrário, para a sua extinção quase inevitável. Foi necessário um abanão capaz de fazer renascer uma nova vontade colectiva e bairrista dos vimaranenses em torno da sua principal festa da cidade. E foi com este modelo idealizado no início do século vinte, que as Festas da Cidade chegaram até nós mais de um século depois, mantendo as suas características populares e o seu estatuto de principal polo de atracção no concelho de Guimarães com uma oferta artística e cultural diversificadas e onde o divertimento ocupa um lugar de destaque.
As festas são organizadas pela Cooperativa A Oficina e contam para a sua construção de um número muito elevado de trabalho voluntário, com especial destaque para os obreiros da Casa da Marcha Gualteriana que organizam e constroem o seu cortejo. São muitas horas de trabalho em período pós laboral dedicadas à criação e construção dos carros alegóricos e à organização de todo o cortejo que justamente é considerado o ex-libris da festa.
Nestes mais de cem anos, muita coisa mudou. As circunstâncias e exigências de agora são diferentes daquelas de quem ficou deslumbrado quando viu a marcha Milanesa pela primeira vez. Como tal penso ser pacífico repensar, envolvendo todos os intervenientes, o modelo até aqui chegado e, à semelhança do que aconteceu em 1906, acrescentar dinâmicas que garantam o brilho e a grandeza que fomos e nos habituamos.
Na apresentação pública do programa das festas para este ano, foi dito pelo Presidente da Câmara que foram ouvidas várias instituições e individualidades vimaranenses para se pronunciarem sobre o modelo de aperfeiçoamento das festas. Deduzo que uma das novidades seja a actual área onde será implantada a festa, que como já se aperceberam terá um percurso delimitado entre o Campo da Feira e a Alameda Alfredo Pimenta.
Sobre as alterações propostas só o tempo dirá do seu êxito, mas as mudanças requerem paciência, tempo e muita atenção.
Atenção que faltou quando o município permitiu a coincidência entre o abate de duas dezenas de árvores e a instalação das barracas de diversão na Alameda Alfredo Pimenta. Foi grande a indignação gerada levantando a suspeita que o abate foi feito para facilitar a instalação dos equipamentos, suspeita que não desapareceu com a justificação municipal de um alegado estado de saúde precário das árvores abatidas.
A rapidez com que se plantaram novas árvores, (em pleno mês de Julho!) em substituição das abatidas fica como que um sinal desesperado para remediar o prejuízo causado.
Fica também, e mais uma vez, a imagem e o registo de um poder que sendo absoluto é frágil e inseguro nas iniciativas que toma.

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