António Costa: “O povo votou e o PS ganhou”
O Partido Socialista conquistou, nestas eleições legislativas, a sua segunda maioria absoluta, tendo eleito 117 dos 230 deputados da Assembleia da República.

António Costa Barra
O Partido Socialista conquistou, nestas eleições legislativas, a sua segunda maioria absoluta, tendo eleito 117 dos 230 deputados da Assembleia da República.

No segundo lugar ficou o PSD de Rui Rio, que elegeu 71 (-8), que perdeu eleitores para as “novas direitas” Chega, com 12 (+11), o Iniciativa Liberal com oito (+7).
Neste ato eleitoral, os portugueses votaram menos nos partidos mais à esquerda, com o Bloco a eleger apenas cinco deputados (-14) e a CDU (PCP-PEV) a perder seis dos doze deputados que possuía (-6).
No fecho da votação, o PAN viu ser eleita Inês de Sousa Real (-3) e Rui Tavares manterá a representação do Livre na Assembleia da República.
O CDS-PP perdeu todos os lugares (-5) e Francisco Rodrigues dos Santos, após a hecatombe, pediu a demissão.

Partido Socialista alcança a maioria absoluta
No seu discurso de vitória, António Costa, que será reconduzido no cargo de primeiro ministro de Portugal, salvaguardou que “uma maioria absoluta não é o poder absoluto” e promete um mandato de “dialogo com todos”.
Para o secretário-geral do PS, esta foi uma vitória da “humildade, da confiança e da estabilidade”, e os portugueses apresentaram um “cartão vermelho a qualquer crise política. Manifestaram o seu desejo de, nos próximos anos, contarem com estabilidade, certeza e segurança – um rumo certo para o nosso país”, afirmou.

Rui Rio pode estar de saída do PSD
“Não vejo como posso ser útil ao país” disse Rui Rio no seu discurso na noite eleitoral, quando a maioria absoluta do PS ainda estava por confirmar, mas quase certa. O PSD elegeu 71 deputados, tendo perdido oito relativamente a 2019.
Rio sublinhou que o PSD até teve mais votos do que em 2019, mas que o resultado revela uma dispersão de votos à direita pelo Chega de André Ventura e pela Iniciativa Liberal de João Cotrim Figueiredo. “Houve um fenómeno de voto útil à esquerda absolutamente esmagador”, o que não aconteceu à direita, disse.

“António Costa, vou atrás de ti” disse André Ventura
As eleições ficaram marcadas pela ascensão do Chega a terceira força política no país, com 7,15% da votação e a eleição de 12 deputados. O partido tinha em André Ventura o deputado único no hemiciclo.
“A partir de agora, vai haver a oposição que faltou ao PS” disse no seu discurso, assumindo-se como o mais forte opositor de António Costa. “Acabou-se aquela oposição fofinha no Parlamento”, disse, acenando com a bancada parlamentar de 12 elementos que o partido terá a partir de agora.

Iniciativa Liberal elege oito deputados
Assumindo-se como outro dos dois vencedores da noite, juntamente com o PS, Cotrim Figueiredo considerou “incrível”, o resultado do partido.
Para o líder liberal, este resultado demonstra que é possível “o liberalismo sem populismo” tirar pessoas da apatia para irem votar.

Bloco de Esquerda afunda-se e perde 14 deputados
“Foi uma campanha muito difícil, com uma bipolarização falsa e uma enorme pressão de voto útil que penalizou os partidos à esquerda”, afirmou Catarina Martins na noite deste domingo.
A bloquista assumiu este ter sido “um dia difícil”, em que o bloco obteve um “mau resultado” e que “a atual direção vai assumir todas as suas responsabilidades”. O bloco obteve 4,46% dos votos e elegeu apenas cinco deputados, quando tinha 19 no parlamento.

CDU perde metade dos deputados
A coligação PCP-PEV não foi além da eleição de seis deputados nestas legislativas, tendo alcançado 4,39% dos votos. Deputados históricos como João Oliveira e António Filipe ficaram de fora devido a uma “bipolarização artificial” entre PS e PSD, considerou Jerónimo de Sousa.
Também o Partido Ecologista “Os Verdes”, que tinha na vimaranense Mariana Silva a sua deputada, perdeu a representação parlamentar.

PAN elege ao cair do pano
O PAN conseguiu eleger um único deputado, contra os quatro que tinha na sua bancada parlamentar.
Inês de Sousa Real assumiu o desaire e garantiu que a Comissão Política Nacional fará uma “reflexão interna” sobre os resultados. A porta-voz do partido deixou o alerta para os “perigos da maioria absoluta” e do “crescimento da extrema-direita”.

Livre apela ao diálogo entre as esquerdas
Rui Tavares foi eleito por Lisboa e no seu discurso adiantou que o partido entrou para a Assembleia da República “para ficar”. O partido “de esquerda nova” elegeu Joacine Katar Moreira em 2019 e mantém um deputado no parlamento. “Iremos ver se António Costa é fiel ao que disse de que não deixaria de negociar com maioria absoluta”, referiu Rui Tavares.

CDS fora do Parlamento, pela primeira vez na história democrática
Após o pior resultado da história do partido, obtendo 1,6% dos votos e perdendo os seus cinco deputados, Francisco Rodrigues dos Santos anunciou ter apresentado a demissão ao Conselho Nacional: “deixei de reunir condições para continuar a liderar o CDS”, disse.
Pela primeira vez, desde 1974, que o CDS-PP, um dos partidos fundadores da democracia, não estará representado no parlamento.
A abstenção nacional foi de 42.04%, menor do que em 2019, quando atingiu os 51.43%.





