Em Guimarães, Ler é Património
Plano Local de Leitura de Guimarães

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A Biblioteca Municipal Raul Brandão assinalou, esta segunda-feira, 30 anos de história. As comemorações do aniversário estendem-se até ao próximo dia 12 de março com diversas iniciativas integradas no Festival Húmus, que engloba a Semana Concelhia da Leitura e a celebração do 155º aniversário de Raul Brandão.

Numa sessão alusiva às comemorações dos 30 anos da Biblioteca, foi apresentado o Plano Local de Leitura (PLL) de Guimarães, sob o mote “Ler é património”.
“Estando numa cidade que é património, não poderíamos fugir a este tema. Faz todo o sentido esta junção da leitura, que também ela é património, com a cidade que é património mundial da humanidade”, refere Juliana Fernandes, diretora da Biblioteca Municipal Raul Brandão, quanto à escolha deste tema.
Destacando o “trabalho de sucesso nos 30 anos da Biblioteca Municipal Raul Brandão”, Adelina Paula Pinto, vice-presidente da Câmara Municipal de Guimarães e vereadora das Bibliotecas, explica que “este novo PLL vem para valorizar e acrescentar aos projetos de educação que já temos em Guimarães” e que o principal objetivo é “fomentar a leitura e acrescentar a participação, com o envolvimento da comunidade, dos escritores, dos artistas, das associações e das escolas”. Envolver os escritores locais é outra das bandeiras apresentadas, até porque “a leitura e a escrita não podem estar separadas”.
A vereadora das Bibliotecas explicou ainda, em entrevista ao Mais Guimarães, que “é preciso colocar o leitor em primeiro lugar”, bem como as suas preferências. “A ideia de que temos uma obra pensada para o leitor não é razoável. Temos de fazer com que as pessoas leiam, criem hábitos de leitura, e que evoluam a partir das coisas mais simples”. Desta forma, a melhoria das competências de leitura visa a criação de “cidadãos mais críticos, mais participativos e mais capazes de compreender o mundo”.
Pretendendo que seja o mais inclusivo possível, o Plano Local de Leitura vai promover a equidade, na medida em que terá propostas para todo o tipo de leitores. “Haverão atividades de promoção de leitura básicas, para pessoas com menos competências de leitura, mas também adaptadas a pessoas com uma maior carga literária, que também encontrarão algo que lhes acrescente. A equidade é a palavra de ordem”, elucida Adelina Paula Pinto.
O Plano Local de Leitura está a ser desenvolvido numa parceria com a Universidade do Minho (UM), representada na sessão de apresentação pela vice-reitora da Universidade do Minho, Joana Aguiar e Silva e por Fernando Azevedo, docente do Instituto de Educação. A UM será a entidade responsável pela elaboração do diagnóstico sobre os hábitos de leitura dos vimaranenses, efetuando inquéritos de caracterização das competências de leitura e frequência de bibliotecas e práticas culturais. O passo seguinte passa pelo mapeamento destes projetos de promoção de leitura junto daquilo que consideram ser as entidades parceiras relevantes. A operacionalização do Plano Local de Leitura decorre entre 2023 e 2027.
Reiterando que “o futuro é agora”, Juliana Fernandes aproveitou a sessão comemorativa para abordar o “novo paradigma das tecnologias” apontando alguns números de destaque em relação aos últimos 30 anos.
Em 1992, a Biblioteca Municipal Raul Brandão tinha 15 mil documentos, e hoje conta com cerca de 300 mil documentos. Estão inscritos 38 mil leitores, registando-se o empréstimo de 70 documentos diariamente. Além do núcleo central, existem ainda três polos descentralizados da Biblioteca (Taipas, Pevidém e Lordelo) e ainda 54 bibliotecas escolares nas Escolas do 1º ciclo, com mais de 6 mil livros em circulação diariamente. O catálogo coletivo concelhio que agrega o fundo documental da sede e o fundo documental de todas as escolas do concelho continua em franco crescimento com a inclusão duma Biblioteca dedicada ao Teatro promovida pela Oficina, bibliotecas de algumas juntas de freguesia, entre outras.





