Militantes do Chega entre os detidos em operação da PJ que desmantelou Grupo 1143
Três militantes do Chega que foram candidatos pelo partido estão entre os 37 detidos na megaoperação da Polícia Judiciária (PJ) que desmantelou o Grupo 1143, uma organização apresentada como de ideologia neonazi. A operação levou ainda à constituição de 15 arguidos e teve como objetivo prevenir a prática de crimes violentos, incluindo homicídios, anuncia a Polícia Judiciária.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães
Dois do detidos são João Peixoto e Rita Castro, ambos candidatos pelo Chega em Guimarães nas eleições autárquicas de 2021. João Peixoto foi candidato à Junta de Freguesia de Selho São Lourenço e Gominhães, enquanto Rita Castro integrou a lista à Câmara Municipal de Guimarães.
Entre os detidos encontra-se também Rui Roque, líder do núcleo 1143 de Faro e ex-conselheiro nacional do Chega. Foi suspenso do partido no início de 2021, mas voltou a ser eleito conselheiro nacional no final desse ano, para um mandato de quatro anos.
Segundo o Jornal de Notícias, os três militantes estão indiciados por crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, em episódios dirigidos contra estrangeiros. O jornalista Miguel Carvalho, autor do livro “Por Dentro do Chega”, afirmou que João Peixoto Branco assumia um papel de liderança do Grupo 1143 em Guimarães e mantinha proximidade com dirigentes distritais do partido, continuando a identificar-se publicamente como militante.
Em conferência de imprensa, o diretor nacional da PJ, Luís Neves, sublinhou que a operação teve caráter preventivo. “Atuámos para evitar que venham a ocorrer homicídios e outros crimes graves”, afirmou, lembrando o homicídio de Alcindo Monteiro, em 1995. Garantiu ainda que todos os crimes de natureza politicamente motivada terão resposta policial.
A diretora da Unidade Nacional Contraterrorismo da PJ, Patrícia Silveira, explicou que os detidos, com idades entre os 30 e os 54 anos, “adotavam e difundiam a ideologia nazi”, agindo por motivações racistas e xenófobas, com o objetivo de intimidar e perseguir minorias, nomeadamente imigrantes. O grupo estava estruturado de forma hierárquica e financiava-se através da venda de material de propaganda e merchandising.
A operação incluiu buscas à cela de Mário Machado, apontado como líder do Grupo 1143, tendo sido apreendidos elementos considerados relevantes para a investigação, cujo conteúdo não foi divulgado.
“Defendemos o nacionalismo”, disse coordenador do 1143
Em outubro de 2024, João Peixoto Branco, coordenador do núcleo de Guimarães do Grupo 1143, defendeu ao Mais Guimarães que o grupo apenas promove o nacionalismo, rejeitando acusações de extremismo e racismo. “Chamam-nos de nazistas, racistas, mas nós só estamos a defender o nacionalismo”, afirmou.
Na altura, o grupo realizou uma manifestação em Guimarães no Dia da Implantação da República, 05 de outubro, que contou com cerca de 500 participantes, incluindo emigrantes portugueses de França e Suíça. O objetivo, afirmou, era alertar para a “imigração descontrolada” e proteger oportunidades de emprego para os cidadãos nacionais.
Peixoto criticou ainda o que descreveu como perseguição de grupos de extrema-esquerda, que teriam divulgado a sua vida pessoal e tentado prejudicar a sua carreira. Sobre incidentes de vandalismo em Guimarães, como a pintura de uma cruz suástica em janeiro de 2024, o coordenador negou qualquer responsabilidade do núcleo local, afirmando que apenas colou autocolantes com mensagens nacionalistas, que não considera racistas ou xenófobos.
O núcleo vimaranense do Grupo 1143 contava, segundo Peixoto, com cerca de 140 membros, muitos dos quais optam por “não se expor publicamente devido a receio de represálias pessoais e profissionais”. O coordenador destacou que continuaria a dar a cara pelo grupo.





