“O que nos vale são as palavras”: HÚMUS 2026 celebra 10 anos e pensa em renovar-se
O festival literário HÚMUS regressa entre 7 e 12 de março de 2026 para celebrar a sua décima edição, assumindo-se como um dos momentos mais relevantes da programação cultural do concelho de Guimarães. A apresentação do programa decorreu no auditório da Biblioteca Municipal Raul Brandão, entidade organizadora do evento, numa sessão conduzida pela vereadora da Cultura, Isabel Ferreira, e pela diretora da Biblioteca, Juliana Fernandes.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães
Sob o lema que recupera palavras de Raul Brandao, “E ainda o que nos vale são as palavras, para termos a que nos agarrar”, o HÚMUS 2026 reforça a centralidade do livro enquanto espaço de pensamento, diálogo e encontro. A edição deste ano terá como palco principal o Centro Cultural Vila Flor, numa aposta na ampliação de públicos e na criação de novas dinâmicas, mantendo a ligação identitária à Biblioteca Municipal.
De acordo com a vereadora Isabel Ferreira, 2026 será um ano de diagnóstico e de questionamento estratégico. “Os eventos culturais devem evoluir. Queremos olhar para o HÚMUS com sentido crítico, perceber o que deve ser acrescentado, o que pode ser reformulado”, referiu. A mudança para o pequeno auditório do Centro Cultural Vila Flor é entendida como um sinal dessa nova fase, potenciando melhores condições técnicas e estéticas e abrindo portas à participação de novos públicos.
O programa integra mesas de debate, entrevistas de vida, apresentações de livros, sessões para escolas, programação infantojuvenil e uma mini Feira do Livro, envolvendo representantes do mercado livreiro vimaranense. A mini-feira, que decorrerá no hall de entrada do pequeno auditório do Vila Flor, pretende dinamizar o setor editorial e reforçar o contacto direto entre leitores, autores e livreiros.
Entre os nomes confirmados destacam-se autores e criadores de diferentes gerações e geografias. O escritor Valter Hugo Mae regressa ao festival para uma conversa noturna, reforçando a dimensão intimista e reflexiva do evento. Estão anunciadas presenças como Hugo van der Ding, Itamar Vieira Junior, Patricia Reis, Maria Francisca Gama, Rita da Nova, Maria Joao Lopo de Carvalho, e Rodrigo Guedes de Carvalho, compondo um cartaz que cruza literatura, jornalismo, artes visuais e pensamento contemporâneo.
O programa apresenta ainda encontros com escritores e artistas locais como Carlos Guimarães, Rodrigo Areias, Eduardo Brito, Tiago Simães, Marta Silva e Pedro Bastos.
A diretora da Biblioteca, Juliana Fernandes, apresentou os principais eixos temáticos da edição, destacando a preocupação em equilibrar programação para o público em geral com iniciativas dirigidas às escolas e às famílias. A “Programação para Escolas” inclui encontros com autores, oficinas de escrita e sessões de mediação de leitura, enquanto a “Programação Infantojuvenil” aposta em atividades que cruzam literatura, ilustração e performance, aproximando os mais novos do universo dos livros.
Um dos momentos centrais será a “Entrevista de Vida”, formato que privilegia a conversa aprofundada com convidados, explorando percursos pessoais e criativos. As mesas de debate prometem discutir temas atuais ligados à literatura, à sociedade e ao papel do livro num contexto marcado pela digitalização e pelas redes sociais.
Isabel Ferreira destacou ainda o crescimento da procura pelo livro e pela biblioteca nos últimos anos. “Temos registado um aumento significativo de requisições, de vendas de livros e de participação nos clubes de leitura, dando o exemplo do clube recentemente criado na Biblioteca Municipal. As pessoas procuram o espaço público para conversar, para partilhar ideias e para construir pensamento coletivo”, afirmou, defendendo que o HÚMUS deve responder a esta nova energia cultural.
A edição de 2026 afirma-se, assim, como um ponto de transição para o futuro do festival.





