Cidades saudáveis e resilientes: um inverno para nos deixar preocupados
O recente relatório apresentado pelo Eixo Atlântico, em Guimarães, não poderia ter chegado em momento mais oportuno. Este inverno, marcado por fenómenos invulgares como os que ocorreram no centro do país e deixaram um rasto de destruição, serve como um alerta concreto sobre os impactos das alterações climáticas nas nossas cidades e na saúde das populações.

© Eliseu Sampaio
O relatório propõe, com razão, que a saúde humana se torne o critério central na planificação urbana, adotando o conceito de One Health, que liga diretamente bem-estar, ecossistemas e qualidade ambiental.
Enquanto vivemos padrões meteorológicos imprevisíveis, torna-se evidente que as cidades precisam de refúgios climáticos, de mais espaços verdes e de soluções urbanísticas que protejam os cidadãos.
Além da saúde, o relatório destaca a habitação e a mobilidade como pilares críticos para cidades resilientes.
Como medidas, a integração de habitação acessível em bairros existentes, evitando segregação e guetos, e a reorganização do tráfego urbano para reduzir emissões são passos indispensáveis.
Guimarães, como Capital Verde Europeia e agora presidente do grupo temático de Sustentabilidade Urbana do Eixo Atlântico, tem agora a responsabilidade de transformar estas recomendações em ação concreta, colocando a cidade como modelo de resiliência e bem-estar.
Este inverno, com os seus sinais preocupantes, não pode ser ignorado. As alterações climáticas não são um problema distante; estão a afetar diretamente a nossa saúde, o nosso ambiente e a forma como vivemos.
Se queremos cidades verdadeiramente sustentáveis e seguras, o planeamento urbano deve colocar a vida humana no centro, integrando ecossistemas, mobilidade, habitação e espaços verdes numa visão coerente e urgente. É hora de agir, antes que os invernos se tornem ainda mais extremos e o preço da inação se torne irreversível.





