Já há investidores interessados nas fábricas da Celeste

A panificadora tem fábricas em Vizela e Guimarães e apresentou-se à insolvência com 15 milhões de euros de dívidas.

© Grupo Celeste

Depois de uma reunião que, nesta quarta-feira, juntou os administradores das três sociedades do grupo Celeste – Conceitos Avulso, Celeste Actual e Nofícios – e representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura, e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB), ficou a saber-se que já há compradores interessados nas fábricas. Os trabalhadores, contudo, estão preocupados porque a maioria tem contrato com a sociedade Conceitos Avulsos, constituída apenas em 2019 e que não tem património para fazer face às indemnizações. Presidente da Câmara de Guimarães recebeu, esta quinta-feiara, os representantes dos trabalhadores e mostrou-se preocupado com a possibilidade de haver pessoas que não venham a receber a totalidade dos créditos.

Segundo o representante do SINTAB, José Eduardo, “o administrador de insolvência já tem empresas interessadas em adquirir as fábricas, tal e qual como elas estão”. José Eduardo está convicto de que há condições para pagar todos os créditos aos trabalhadores. Quando avançaram para a insolvência, as três empresas do grupo Celeste tinham em dívida os salários de janeiro e fevereiro, o subsídio de férias de 2025 e os retroativos dos aumentos salariais, acertados em contrato coletivo de trabalho, entre setembro e dezembro de 2024. “Acreditamos que mesmo antes da venda do património haja condições para pagar os créditos aos trabalhadores. Há dinheiro na caixa e da alienação das lojas que é suficiente para satisfazer esses compromissos”, garantiu.

O SINTAB considera que o facto de haver empresas interessadas na compra das fábricas “é um bom sinal”, uma vez que “se afigura como uma garantia da manutenção dos postos de trabalho”. O grupo Celeste empregava cerca de 300 pessoas e apresentou-se à insolvência com dívidas a rondar os 15 milhões de euros, em que os maiores credores são a Segurança Social, a Autoridade Tributária e os bancos. Alguns trabalhadores mostram perplexidade perante os avultados investimentos feitos nos últimos tempos, nomeadamente na aquisição de uma nova frota de carros elétricos, de um camião e da colocação de painéis solares, “para agora ir à falência”.

Transferência de trabalhadores para empresas sem património coloca em risco o pagamento das indemnizações

Desde 2019, os trabalhadores da Celeste foram, progressivamente, sendo transferidos para uma empresa sem património – a Conceitos Avulsos. Apesar de lhe terem sido garantidos os direitos de antiguidade, neste caso, como a sociedade não tem nada no inventário para vender, poderão ficar apenas com o valor que é pago pelo Fundo de Garantia Social, que vai, no máximo, até 15 660 euros.

Trabalhadores pedem ajuda ao Município

Esta quinta-feira, o SINTAB reuniu com o presidente da Câmara de Guimarães, Ricardo Araújo, para o sensibilizar para o detalhe jurídico que poderá criar obstáculos ao pagamento das indemnizações. “O que pretendemos é que os trabalhadores sejam todos considerados como funcionários do grupo e que a totalidade dos créditos seja paga a todos”, assinalou José Eduardo do SINTAB, no final do encontro. “O presidente concordou inteiramente connosco”, acrescentou. O sindicato apelou ao autarca para se manifestar publicamente sobre este assunto. “Pedimos ao presidente que emitisse opinião demonstrando preocupação, para que todos os trabalhadores sejam reconhecidos por igual na reclamação dos créditos”, referiu.

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