Requalificada escola EB 2/3 de Pevidém não deverá abrir no arranque do próximo ano letivo

A requalificação da Escola EB 2/3 de Pevidém deverá prolongar-se para além do prazo inicialmente previsto, comprometendo o regresso dos alunos às novas instalações já no arranque do ano letivo 2026/27. O presidente da Câmara Municipal, Ricardo Araújo, reconheceu ser “muito pouco provável” que a obra esteja concluída a tempo.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães

Embora o calendário formal apontasse para a conclusão em julho de 2026, dentro dos limites definidos pelo PRR, o autarca foi claro ao afirmar que os trabalhos deverão estender-se “para lá de agosto”.

A empreitada foi adjudicada por 11,9 milhões de euros, com financiamento integral do PRR. No entanto, segundo a autarquia, esse prazo encontra-se já formalmente ultrapassado. Apesar de a empresa responsável pela obra estar a “fazer o possível” para acelerar os trabalhos, os atrasos acumulados tornam inevitável o desvio face ao calendário inicial.

Ricardo Araújo assumiu que esta realidade não é isolada e reflete um problema mais amplo. “Os atrasos nas obras do PRR são hoje a minha maior preocupação enquanto presidente de Câmara”, afirmou, lembrando que muitos projetos em Guimarães foram lançados tardiamente face aos prazos exigentes do programa europeu. “Temos uma exposição grande ao risco de incumprimento”, lembrou.

O autarca revelou ainda que, até ao momento, não existem sinais de que os prazos do PRR venham a ser prorrogados, o que aumenta a pressão sobre os municípios. Nesse sentido, a Câmara Municipal está a trabalhar em articulação com o Governo e outras entidades nacionais para avaliar possíveis soluções caso a obra não cumpra os prazos definidos. Entre os cenários em análise estão eventuais consequências financeiras para o município, à semelhança do que já acontece com a habitação em Guimarães. Na adjudicação recente de 75 frações, o município saiu penalizado em 15% se a obra ficar concluída até ao final do ano, e terá uma penalização de mais 10% se as obras só terminarem em 2027.

Neste momento, as obras de requalificação que decorrem nos Centros de Saúde, também ao abrigo do PRR, são preocupação para Ricardo Araújo.

Enquanto a requalificação da escola não fica concluída, os alunos da EB 2/3 de Pevidém continuam a frequentar aulas em instalações provisórias, montadas no recinto da feira semanal de Pevidém. O espaço, composto por contentores, foi alvo de melhorias recentes após reivindicações da comunidade escolar.

Acompanhado por responsáveis municipais, pelo presidente da junta de freguesia de Selho S. Jorge e representantes da escola, Ricardo Araújo destacou que os compromissos assumidos com a comunidade foram cumpridos. Foram implementadas soluções como a cobertura de áreas exteriores, o reforço da rede de internet e melhorias nas condições de segurança e acessibilidade.

“Confirmámos que aquilo com que me comprometi perante a comunidade foi cumprido”, afirmou o presidente da Câmara, sublinhando o esforço conjunto de professores, alunos, pais e serviços municipais. Ainda assim, reconheceu que estas instalações estão longe de ser ideais. “Não é uma solução perfeita. São instalações provisórias”, frisou.

Do lado da comunidade educativa, a associação de pais, representada por Catarina Ferreira, reconhece que os principais problemas sentidos no início do ano letivo foram entretanto resolvidos. Ainda assim, a expectativa mantém-se elevada quanto à conclusão da obra e à mudança para as novas instalações. Pais e alunos aguardam com ansiedade o regresso a um espaço definitivo, mais moderno e adequado às necessidades da comunidade escolar.

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