Novos corpos sociais da Misericórdia de Guimarães tomaram posse neste sábado
A Santa Casa da Misericórdia de Guimarães assinalou, na manhã deste sábado, 21 de março, um novo capítulo da sua história com a tomada de posse dos órgãos sociais eleitos para o quadriénio que se prolongará até dezembro de 2029. A cerimónia decorreu na Igreja de Santo António dos Capuchos, num momento solene que reuniu representantes institucionais, membros da irmandade e diversas figuras da sociedade vimaranense.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães
20 irmãos assumiram funções nos três órgãos da instituição, Assembleia Geral, Mesa Administrativa e Conselho Fiscal, na sequência das eleições realizadas a 31 de janeiro. O processo ficou concluído com a homologação da Cúria Arquiepiscopal de Braga, liderada por D. Manuel Cordeiro.
Este ato marca também o início de um novo ciclo após a saída de Eduardo Leite da provedoria. O antigo responsável apresentou a demissão depois de ter sido eleito vereador na Câmara Municipal de Guimarães, onde exerce atualmente funções como Vice-Presidente com o pelouro da Ação Social, alegando incompatibilidade entre os cargos.
Entre as principais mudanças, destaca-se a eleição de Cristina Cêpa Carvalho como nova Provedora da Mesa Administrativa, assumindo a liderança executiva da instituição. Já César Nuno da Costa Teixeira preside à Assembleia Geral, enquanto António Monteiro de Castro encabeça o Conselho Fiscal.
A cerimónia contou com a presença de várias entidades, entre as quais Rui Armindo Freitas, secretário de Estado Adjunto e da Presidência e atual presidente da Assembleia Municipal de Guimarães.
Num discurso marcado pelo sentido de missão, a nova provedora, Cristina Cêpa Carvalho, assumiu funções com “profundo sentido de responsabilidade, humildade e honra”, salientando que liderar uma Misericórdia representa muito mais do que ocupar um cargo. “É aceitar uma missão de serviço ao próximo, inspirada pelos valores da solidariedade, da dignidade humana e da fraternidade”, afirmou.

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A responsável destacou o legado histórico da instituição, com mais de cinco séculos de existência, e a sua relevância atual, apoiando mais de 500 famílias e contando com uma equipa superior a 230 colaboradores. Perante este contexto, sublinhou a exigência de uma gestão criteriosa, aliada a uma visão estratégica capaz de preparar o futuro.
Cristina Cêpa Carvalho comprometeu-se a liderar com “responsabilidade, transparência e proximidade”, apontando como prioridades a sustentabilidade financeira, a valorização dos recursos humanos, a inovação nas respostas sociais e o reforço do compromisso com a comunidade. “Temos que ter coragem para fazer mais e fazer melhor”, afirmou, apelando ao envolvimento de colaboradores, voluntários, parceiros e cidadãos.
Evocou ainda a importância do caminho e das experiências ao longo do mandato, defendendo que o verdadeiro valor da missão está na forma como se constrói o percurso coletivo ao serviço dos mais vulneráveis.
Na sua intervenção, o presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel de Lemos, deixou palavras de reconhecimento ao trabalho desenvolvido pela instituição e destacou o simbolismo da renovação agora iniciada. Sublinhou, em particular, o rejuvenescimento dos novos órgãos sociais, considerando-o um sinal positivo para o futuro do setor. “É um sintoma de grande alegria e da força que o movimento das Misericórdias continua a ter na sociedade portuguesa”, afirmou.
Manuel de Lemos chamou ainda a atenção para os desafios que se colocam atualmente às Misericórdias, nomeadamente o envelhecimento da população, o aumento das fragilidades sociais e a necessidade de respostas cada vez mais céleres. “Hoje, quando alguém recorre à Misericórdia, é porque precisa mesmo. Passámos de uma lógica de ‘just in case’ para ‘just in need’”, referiu, defendendo também a importância da inovação e da cooperação institucional.

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Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, destacou a importância histórica e social da instituição, fundada em 1511, considerando-a um elemento essencial da coesão social no concelho. “Houve e continua a haver sempre nesta instituição alguém disponível para ajudar, para cuidar e para amparar”, referiu.
O autarca deixou também uma palavra de reconhecimento ao anterior provedor, Eduardo Leite, e manifestou total confiança na nova liderança. Sobre Cristina Cêpa Carvalho, salientou qualidades como a “competência, o dinamismo e a capacidade de conciliar exigência e humanidade”, mostrando-se convicto de que saberá responder aos desafios atuais.
Ricardo Araújo reforçou ainda o compromisso do município em continuar a apoiar a instituição, defendendo a importância do trabalho em parceria entre o poder local e o setor social. “Uma Santa Casa forte torna a nossa comunidade mais forte”, afirmou.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães
No final, o novo presidente da Assembleia Geral, César Teixeira, agradeceu a presença das entidades civis, militares e religiosas, sublinhando a responsabilidade assumida pelos novos órgãos sociais. Evocando os princípios fundadores da instituição, destacou a atualidade dos seus valores e a importância da “Visitação ao Outro” como expressão da missão da Misericórdia.





