Bloco de Esquerda lamenta morte de Wladimir Brito

A Comissão Coordenadora de Braga do Bloco de Esquerda manifestou o seu profundo pesar pelo falecimento de Wladimir Brito, destacando o seu percurso enquanto jurista, académico e defensor dos direitos humanos, e endereçando condolências à família e amigos.

© CMG

Nascido em 1948 na Guiné, filho de pais cabo-verdianos, Wladimir Brito viveu em Cabo Verde durante a infância e juventude, onde completou o ensino básico e secundário. Mais tarde, licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra, período marcado pela participação ativa em movimentos estudantis e greves académicas.

Durante o serviço militar, esteve envolvido nos acontecimentos do 25 de Abril, nomeadamente na tomada do quartel da Figueira da Foz. Após concluir o curso, regressou à Guiné, onde exerceu funções como “advogado popular” e, posteriormente, como juiz, mantendo sempre uma ligação próxima à realidade política e social do país.

Reconhecido como uma figura central na afirmação do Estado de direito no espaço lusófono, foi o principal redator da Constituição de Cabo Verde de 1992, sendo frequentemente apontado como o “pai” desse texto fundamental. Recentemente, subscreveu também um apelo público em defesa do Estado de direito na Guiné, contra o golpe militar e pela libertação de presos políticos.

Professor catedrático da Universidade do Minho, desempenhou diversas funções académicas, conciliando o ensino e a investigação com uma intervenção ativa na promoção dos direitos humanos. Foi ainda cofundador e diretor do Observatório Lusófono de Direitos Humanos, integrou a lista de conciliadores das Nações Unidas por indicação do Governo português e dirigiu a revista Scientia Ivridica. Ao longo da sua carreira, recebeu várias distinções, incluindo o Estatuto de Combatente da Liberdade da Pátria e a Medalha de Mérito de Primeira Classe da República de Cabo Verde.

Radicado em Guimarães, acompanhou de perto a vida política local e nacional. Foi candidato e deputado municipal pelo PCP, na então APU, e mais tarde candidato à presidência da Câmara Municipal pelo Bloco de Esquerda, sempre como independente. Como referia, o único partido em que militou foi o PAIGC, no contexto da luta de libertação.

O coordenador nacional do Bloco de Esquerda recorda Wladimir Brito como “um homem de pensamento livre e de enorme intervenção cívica”, sublinhando que a sua morte, “num tempo de guerra contra o Direito Internacional, nos deixa mais frágeis no combate contra a barbárie”. José Manuel Pureza afirmou ainda que o partido procurará honrar a sua memória, defendendo os princípios do Direito Internacional e da justiça.

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