Guimarães avança com 75 habitações públicas em Azurém num investimento de 12,6 milhões
A concretização desta medida foi formalizada na passada sexta-feira, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, através da assinatura de um Contrato-Promessa de Compra e Venda (CPCV) entre o Município e o Grupo Casais. O investimento enquadra-se no 1.º Direito - Programa de Apoio ao Acesso à Habitação e representa um reforço da oferta pública habitacional no concelho.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães
O novo empreendimento será construído numa área de ligação entre a Urbanização Vimaranes e a rotunda de Azurém, integrando diferentes tipologias habitacionais e espaços verdes, contribuindo para a qualificação desta zona da cidade. O investimento global ronda os 12,6 milhões de euros e a conclusão da obra está prevista para o final de 2026.
O presidente da autarquia, Ricardo Araújo, destacou a importância deste momento, classificando-o como “um passo decisivo” num processo que, segundo referiu, esteve demasiado tempo parado e foi recentemente acelerado. “Este processo já tinha sido iniciado há vários anos, mas andou demasiado devagar. Nos últimos meses, foi impulsionado com um verdadeiro sentido de urgência para que pudesse avançar”, afirmou.
Apesar de considerar o momento simbólico, o autarca sublinhou que o verdadeiro objetivo está na concretização prática do projeto. “Hoje é um dia importante, mas o dia verdadeiramente importante será aquele em que estas casas estiverem prontas e puderem ser entregues às famílias que delas precisam. Só aí este trabalho estará concluído”, referiu.
Durante a sua intervenção, Ricardo Araújo destacou ainda que o acesso à habitação se tornou um dos principais desafios sociais da atualidade, afetando não apenas os setores mais vulneráveis, mas também famílias da classe média e jovens em início de vida ativa. “É um problema que tem vindo a agravar-se com o aumento do custo de vida. Hoje, muitas famílias que não estavam em situação de fragilidade enfrentam dificuldades sérias para aceder à habitação”, alertou.
O autarca deixou também críticas à forma como o concelho não conseguiu tirar pleno partido dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), nomeadamente no que diz respeito ao financiamento a 100% para a construção de habitação pública. Segundo explicou, essa situação traduz-se em penalizações financeiras: uma redução de 15% no apoio caso as obras estejam concluídas até dezembro, podendo essa penalização agravar-se em mais 10% caso a conclusão apenas ocorra em 2027.
Ainda assim, Ricardo Araújo sublinhou a necessidade de mobilizar tanto o setor público como o privado. “Aumentar a oferta de habitação exige uma convocatória de urgência do setor público, mas também o envolvimento do setor privado.
Reforçando a linha de atuação do executivo, o presidente garantiu que a atual gestão está focada em transformar a realidade do concelho. “Não estamos aqui para gerir a herança do passado. Estamos aqui para transformar essa realidade e construir um concelho melhor, com exigência, sentido de urgência e foco nas pessoas”, sublinhou.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães
O projeto será executado pelo Grupo Casais, parceiro do Município nesta iniciativa. O CEO da empresa, António Carlos Rodrigues, destacou que este investimento representa mais do que a construção de habitação, sendo parte de um compromisso mais amplo com o desenvolvimento da cidade.
“Sabemos que Guimarães tem mais necessidades e o nosso compromisso não se limita a este projeto. Queremos continuar a investir e a contribuir para o crescimento sustentável da cidade”, afirmou o responsável, acrescentando que o grupo está também a desenvolver uma nova iniciativa para a zona de Azurém, com ligação ao campus universitário. Entre os projetos, destaca-se a criação de uma comunidade de energia.
No que diz respeito à execução da obra, António Carlos Rodrigues admitiu que existem fatores que podem introduzir alguma imprevisibilidade na fase inicial do projeto, nomeadamente ao nível das escavações e das características do solo. “O início pode trazer alguns imprevistos, sobretudo relacionados com o terreno, mas depois, assim que saímos do solo, o sistema construtivo permite um avanço muito rápido. Este projeto reúne condições para uma execução rápida”, assegurou. “Queremos ganhar escala na aplicação deste sistema construtivo e, por isso, entregaremos ao município um edifício com valor superior ao que está estipulado”, acrescentou o responsável pelo Grupo Casais.





