“A educação é a grande esperança para melhorar a vida das pessoas”, vinca Fernando Alexandre
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, deixou uma promessa clara no Multiusos de Guimarães, intervindo na II edição do Education Summit: garantir bibliotecas em todas as escolas do país e reforçar a igualdade de oportunidades no acesso ao ensino.

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Perante uma plateia de cerca de 2.400 professores, educadores, psicólogos e outros profissionais do setor, o governante centrou o seu discurso na necessidade de combater as desigualdades estruturais que ainda marcam o sistema educativo português. “Não há democracia sem igualdade de oportunidades”, afirmou, sublinhando que este é o principal desígnio da escola pública.
A participação do ministro começou com uma visita aos cerca de 40 expositores presentes no evento, acompanhado pelo presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, e pelos vereadores da Educação do chamado Pentágono Urbano (Guimarães, Braga, Famalicão, Barcelos e Viana do Castelo). Logo no arranque, Fernando Alexandre elogiou o trabalho desenvolvido pelos municípios do Norte, destacando a forte cobertura da rede de ensino pré-escolar como um dos fatores que ajudam a explicar os melhores resultados escolares nesta região.
Na sua intervenção, o ministro foi direto: “Não há igualdade de oportunidades em Portugal”. Apesar dos avanços registados nas últimas décadas, reconheceu que o ponto de partida continua a condicionar o percurso dos alunos. “Na educação, onde conseguimos chegar ainda depende muito de onde partimos”, afirmou.

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Fernando Alexandre recordou o caminho feito desde 1970, quando cerca de 30% da população portuguesa não sabia ler nem escrever, contrastando com a realidade atual. Ainda assim, alertou para o atraso relativo face a outros países. Em 2023, cerca de 40% dos jovens entre os 25 e os 34 anos tinham formação superior, um valor que aproxima Portugal da média europeia, mas que ainda fica aquém dos países mais desenvolvidos. O objetivo, segundo indicou, é atingir os 50% até 2030.
Para ilustrar as desigualdades, o governante apresentou vários indicadores. Apenas 6% dos alunos com ação social escolar conseguem entrar em cursos de excelência, com médias superiores a 17 valores, enquanto entre os alunos sem esse apoio a percentagem é mais do dobro. Também o nível de escolaridade dos pais continua a ser determinante: entre os jovens com ensino superior, apenas 23% são filhos de pais sem formação além do secundário, ao passo que 73% dos jovens com pelo menos um progenitor licenciado seguem o mesmo caminho.
“Não há democracia sem igualdade de oportunidades”, reiterou Fernando Alexandre, defendendo que o combate a estas assimetrias deve ser uma prioridade absoluta. Nesse sentido, destacou a importância da avaliação precoce das aprendizagens, nomeadamente através das provas ModA, aplicadas no 4.º e 6.º anos, e da monitorização da leitura logo no 2.º ano de escolaridade. “Se não avaliarmos cedo, quando damos conta já é tarde demais”, alertou.
O ministro sublinhou também o peso do setor da educação no país, lembrando que o Ministério é o maior empregador nacional, com um número de trabalhadores cinco vezes superior ao do segundo maior empregador. Destacou ainda o envelhecimento da classe docente, referindo que cerca de metade dos professores tem mais de 50 anos, o que contribui para o aumento das baixas médicas.

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Entre as medidas em curso, Fernando Alexandre destacou a intenção de tornar mais ágil o processo de colocação de professores, admitindo que, no futuro, este possa ocorrer diariamente. Ainda assim, garantiu que o modelo se manterá nacional, centralizado e baseado na graduação. Para os estudantes de cursos de Educação, recordou que o Estado já suporta o pagamento das propinas e assegurou que está a ser estudada uma solução para permitir a integração mais rápida no sistema de ensino após a conclusão dos mestrados.
Outro dos eixos centrais da intervenção foi a requalificação do parque escolar. O Ministério tem atualmente em curso a recuperação de 387 escolas, num investimento global de 1.550 milhões de euros. No entanto, o governante deixou um alerta: as novas infraestruturas devem ser “boas, mas frugais”. “Não faz sentido termos escolas luxuosas quando, no mesmo concelho, há outras onde chove dentro”, afirmou.
Foi neste contexto que surgiu uma das principais promessas da sessão: a criação de bibliotecas em todas as escolas. O ministro revelou que ficou surpreendido ao constatar que ainda existem 1.467 escolas do 1.º ciclo sem biblioteca. Para inverter esta realidade, está já em curso um programa de 3,2 milhões de euros que permitirá criar 434 novas bibliotecas escolares, resolvendo cerca de metade do problema.

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Fernando Alexandre abordou ainda o impacto da tecnologia no contexto educativo, defendendo a recente decisão de proibir o uso de telemóveis nas escolas até ao 6.º ano e de impor restrições nos anos seguintes. Citando um estudo realizado no ano letivo 2024/2025, o ministro afirmou que “as escolas que proíbem o telemóvel reportam melhorias no ambiente escolar”, alertando para os efeitos negativos do uso excessivo destes dispositivos.
Apesar de reconhecer o papel positivo da tecnologia, o governante defendeu que esta deve complementar competências humanas e não substituí-las. “Se há competência que não será substituída é a inteligência emocional e social”, afirmou.
Ao longo da intervenção, Fernando Alexandre reforçou a ideia de que a educação continua a ser o principal motor de mobilidade social. “A educação é a grande esperança para melhorar a vida de cada um e para construir sociedades mais justas”, afirmou, sublinhando que o objetivo central da política educativa passa por garantir que todos os alunos, independentemente da sua origem, têm as mesmas oportunidades de sucesso.
O Education Summit, que decorreu em Guimarães ao longo de três dias sob o lema “Inspirar para transformar”, reuniu cerca de 2.400 participantes de todo o país e afirma-se como um dos principais fóruns nacionais de reflexão sobre o futuro da educação, cruzando conferências, workshops, debates e uma área de exposição dedicada a projetos e soluções inovadoras para o setor. O evento é organizado pela associação Nova Escola, sediada na cidade berço.





