Guimarães “berço de várias nações”: Presidente de Cabo Verde reforça laços históricos e de cooperação
A cidade de Guimarães recebeu, esta terça-feira, 21 de abril, a visita oficial do Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, num momento marcado pelo reforço dos laços históricos, culturais e institucionais entre os dois territórios.

© CMG
Ricardo Araújo, presidente da Câmara Municipal de Guimarães, sublinhou a importância das relações históricas e da cooperação entre os dois territórios, numa sessão marcada por discursos institucionais e momentos de evocação histórica.
No seu discurso, José Maria Neves destacou a centralidade de Guimarães na construção de identidades nacionais, sublinhando que a cidade representa mais do que o berço de Portugal: “Guimarães é berço de várias nações”, afirmou, referindo-se à herança comum que liga Portugal a Cabo Verde. O Presidente evocou o encontro entre povos europeus e africanos como matriz fundadora da identidade cabo-verdiana, lembrando que “deste cruzamento entre culturas surgiu um novo povo, uma nova nação”.
O Chefe de Estado cabo-verdiano valorizou ainda a língua portuguesa como património partilhado, mas também como ponto de partida para a criação de novas expressões culturais, como a língua cabo-verdiana, resultado do diálogo entre diferentes tradições. “Criámos juntos muitas coisas”, afirmou, reforçando a ideia de uma história comum construída ao longo de séculos.
A visita teve também um forte caráter simbólico no que toca à cooperação bilateral. José Maria Neves recordou o papel determinante de Portugal no desenvolvimento de Cabo Verde, desde a formação de quadros superiores até à cooperação na área da saúde, passando pela estabilidade económica garantida por acordos monetários e institucionais. “É impossível ignorar a profundidade desta cooperação. Cabo Verde é hoje um país mais desenvolvido, democrático e aberto ao mundo, graças também à amizade firme de Portugal”, afirmou.
Num discurso abrangente, o Presidente destacou ainda o percurso do país desde a independência, sublinhando a consolidação do Estado de direito democrático e a estabilidade política. Apontou Cabo Verde como um exemplo de transição pacífica e de funcionamento institucional, onde os processos eleitorais decorrem com normalidade e respeito pelos resultados. “No dia seguinte às eleições, todos regressam ao trabalho. É essa maturidade democrática que sustenta o nosso desenvolvimento”, referiu.
Outro dos pontos centrais da intervenção foi o papel da diáspora cabo-verdiana, considerada essencial para o crescimento do país. José Maria Neves descreveu Cabo Verde como um “Estado transnacional”, com mais cidadãos fora do território do que dentro, destacando o contributo das comunidades emigrantes não só através de remessas financeiras, mas também pela influência cultural, social e política. “A diáspora ajuda a construir um país mais aberto, mais exigente e mais preparado para o futuro”, afirmou.
A visita a Guimarães incluiu ainda passagens por iniciativas empresariais e académicas, nomeadamente a deslocação às Confeções Giliana, empresa liderada pelo empresário cabo-verdiano Marcelino da Rosa, e a ligação à Universidade do Minho, visitada durante a manhã, em Braga. Estes momentos reforçaram a dimensão económica e científica da cooperação entre Portugal e Cabo Verde, apontando para novas oportunidades nas áreas da tecnologia, energias renováveis e economia do mar.
Durante a sessão solene, José Maria Neves prestou também homenagem a Wladimir Brito, recentemente falecido em Guimarães, recordando-o como uma figura fundamental na construção do Estado cabo-verdiano. “Foi um dos pais da nossa Constituição e deixou um legado de enorme valor para as novas gerações”, afirmou, sublinhando a ligação pessoal e académica do jurista à cidade berço.
A visita do Presidente cabo-verdiano inseriu-se na iniciativa “Presidência na Diáspora”, que visa reforçar os laços com as comunidades emigrantes e promover novas formas de cooperação descentralizada, envolvendo municípios, universidades, empresas e instituições. Nesse contexto, José Maria Neves destacou o papel das autarquias como agentes fundamentais na dinamização das relações internacionais.
Ao encerrar a sua intervenção, o Chefe de Estado deixou uma mensagem de futuro, apelando ao reforço das parcerias e à construção de novos caminhos de desenvolvimento conjunto. “Temos hoje a oportunidade de recriar as nossas relações de cooperação e de projetar um futuro comum mais ambicioso”, afirmou, reiterando a importância de cidades como Guimarães enquanto espaços de memória, mas também de inovação e abertura ao mundo.





