Especialistas alertam: maioria dos doentes com insuficiência cardíaca não sabe que a tem

Semana de Sensibilização alerta para a insuficiência cardíaca: doença afeta milhares e permanece largamente desconhecida.

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O Mais Guimarães esteve à conversa com a equipa da Consulta de Insuficiência Cardíaca do Hospital Senhora da Oliveira, integrada na Unidade de Saúde Local do Alto Ave, no âmbito da Semana de Sensibilização para a Insuficiência Cardíaca. A iniciativa, promovida anualmente pela Sociedade Europeia de Cardiologia e pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia, centra-se este ano na prevenção e no diagnóstico precoce.

Filipa Almeida, responsável pela Clínica de Insuficiência Cardiaca, explica que os números são motivo de preocupação. Um estudo recente realizado em Portugal indica que cerca de 16% da população com mais de 50 anos sofre de insuficiência cardíaca. “É muito preocupante, mas mais alarmante ainda é que 90% dessas pessoas desconhece que tem a doença”, alerta. Este desconhecimento, diz, reforça a necessidade de campanhas de sensibilização como a que agora decorre.

“Quanto mais cedo fizermos o diagnóstico, mais cedo podemos intervir e melhorar o curso da doença”, acrescenta Filipa Almeida.

Bebiana Faria aponta que os sintomas nem sempre são valorizados. Cansaço, falta de ar ou inchaço das pernas são frequentemente atribuídos ao envelhecimento. “O problema é que as pessoas acham que é normal para a idade e não procuram ajuda”, diz a médica.

A insuficiência cardíaca está frequentemente associada a outras doenças, como hipertensão arterial, obesidade ou diabetes, e a sua prevalência aumenta com a idade. “Sabemos que acima dos 70 anos cerca de 30% da população pode ter insuficiência cardíaca. Se juntarmos fatores como sedentarismo ou excesso de peso, os sintomas tornam-se ainda mais difíceis de identificar”, refere também Filipa Almeida.

Quanto às causas, são diversas. O enfarte agudo do miocárdio é uma das principais, podendo deixar sequelas no músculo cardíaco que evoluem para insuficiência. “O álcool, por exemplo, tem um efeito tóxico direto no coração, e também pode ser uma causa. Há ainda fatores genéticos, infecciosos e inflamatórios”, acrescenta.

Durante esta semana, o Hospital de Guimarães e os Centros de Saúde primários estão a desenvolver várias ações de sensibilização dirigidas tanto à população como aos profissionais de saúde. Informação sobre a doença está a ser divulgada em unidades de saúde e meios de Comunicação Social.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães

A iniciativa culmina com uma caminhada e uma aula de exercício físico no dia 1 de maio, no Parque da Cidade, em Guimarães, reunindo doentes, familiares e comunidade. “Queremos chamar a atenção para a importância do exercício físico. Mesmo em doentes com insuficiência cardíaca, a atividade adaptada melhora a capacidade funcional e a qualidade de vida”, explica Ana Filipa Cardoso.

A equipa destaca ainda o papel da reabilitação cardiovascular, que inclui programas estruturados no hospital e continuidade na comunidade, com acompanhamento especializado. “O nosso objetivo não é apenas prolongar a vida, mas garantir qualidade de vida”.

O diagnóstico pode começar com suspeita clínica e análises sanguíneas, sendo confirmado através de exames como o ecocardiograma, um método acessível e não invasivo. “É fundamental que as pessoas com sintomas procurem o seu médico. O diagnóstico atempado pode evitar internamentos e complicações graves”, alertam.

Para as médicas, um dos maiores desafios é precisamente evitar que o primeiro contacto com a doença aconteça já numa fase avançada. “Muitas vezes o diagnóstico é feito numa ida à urgência, já em descompensação. Queremos inverter isso, trazendo o diagnóstico para os cuidados de saúde primários e para fases mais precoces”, defendem.

Assinalado a 3 de maio, o Dia Europeu da Insuficiência Cardíaca, reforça esta mensagem: trata-se de uma doença comum, potencialmente grave, mas cujo impacto pode ser significativamente reduzido com prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado. A adoção de estilos de vida saudáveis, o controlo de fatores de risco e o acompanhamento médico regular continuam a ser as principais armas no combate a esta patologia silenciosa.

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