Opinião I “Assim também eu…” por Pedro Vilhena Roque

O Vitória está, de novo, no limbo das eleições. Nestes dias tenho lido e ouvido opiniões sobre a vida associativa e desportiva do Vitória que muito me tem espantado dada a qualidade e obrigação de alguns seus autores.

© Pedro Roque

Neste âmbito, frequentemente me interrogo se existe alguma espécie de vontade inconsciente de “cancelamento” que a vários tolhe a visão e o intelecto, tal é o
afunilamento e perspectiva das análises. Como é sabido, integrei uma equipa que esteve à frente dos destinos do nosso clube durante 7 anos – de 2012 a 2019 – em tempos verdadeiramente desafiantes.

Herdamos um passivo de 24 milhões de euros e assumimos a missão de tornar o Vitória financeiramente sustentável e desportivamente combativo e eclético. Honramos o
compromisso e, em 2019, passamos o testemunho com um passivo inferior e – mais importante ainda – um activo que superava o passivo em mais de 6 milhões de euros.

Na SAD fizemos uma média de lucros anuais de cerca de 1,3 milhões de euros e entregamos o clube no 5º lugar, com um novo apuramento para a Liga Europa. Sem
receitas futuras hipotecadas (TV ou outras) e com cerca 4 milhões de euros em contas bancárias! Foi obra!

Não era fácil… Os nossos objectivos nunca foram bater “recordes de pontos” ou outras coisas vãs e que nenhumas vantagens ou glória nos trazem.

Orgulho-me de ter feito parte do melhor período da história do Vitória que demonstro com factos:
Em futebol:

• 1 Taça de Portugal
• 2 Finais da Taça de Portugal
• 2 Disputas da Supertaça
• 4 Apuramentos Liga Europa
• Um 4º lugar
• Dois 5º lugares
• 1 título campeão Nacional sub-17

Noutras modalidades de equipa:
• 1 título nacional de Polo aquático
• 1 taça de Portugal em basquetebol

Recordo que os jogos da Liga Europa jamais foram brindes. Ao contrário da Liga Conferência (o 3º escalão da Europa, que nem existia) sabíamos que nos calhariam em
sorte clubes de referência global – Marselha, Lyon, Salzburgo…

Mas não pensem que falo por mero orgulho. Não, faço-o com a imensa tristeza que invade o coração de todos os Vitorianos pelos sucessores não terem conseguido fazer mais e melhor.

Passaram-se mais 7 anos e o Vitória, gastando mais do dobro em cada época, “inchou”, mas apenas alcançou um 5º lugar. Nunca mais se apurou para a Liga Europa, disputando apenas duas vezes a Liga Conferência.

Vai iniciar-se um novo ciclo, mas os cerca de 85 milhões (??) de euros expectáveis de passivo consolidado (ou mais?) faz antever nuvens muito cinzentas. Foram-se os milhões e, junto com eles, “evaporam-se” também os responsáveis por uma gestão absolutamente deficiente (para o dizer de uma forma suave) que se fizeram eleger com a promessa de tornar o Vitória um clube sustentável!!!

Muito feliz estaria se pudesse, face às conquistas, parafrasear César Mourão e dizer: “Assim também eu…!,” tal é o absurdo de dinheiro gasto. Mas não! Receberemos o clube exaurido e com muito poucochinho para contar aos netos. Enfim…

Por último, e face à quantidade de candidaturas já formalizadas, apenas se pede responsabilidade e bom senso, sendo certo que ficaria extremamente feliz se a equipa vencedora fizesse melhor do que nos anos de 2012 a 2019.

Viva o Vitória!
Pedro Roque
Sócio nº 2779

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