Rui Rodrigues: “Queremos um clube mais forte, mais sólido e mais unido”
O candidato à presidência do Vitória Sport Clube pela Lista D, Rui Rodrigues, apresentou oficialmente a sua candidatura aos sócios numa cerimónia realizada na noite desta sexta-feira, 22 de maio, no Instituto de Design, em Guimarães. Perante dezenas de apoiantes e associados, o candidato traçou as linhas orientadoras do seu projeto para o clube, centrando a sua intervenção na sustentabilidade financeira, no futuro do futebol profissional e na concretização da tão aguardada Academia.

© Rodrigo Marques / Mais Guimarães
“Acreditamos profundamente no potencial do Vitória Sport Clube. Acreditamos num clube mais forte desportivamente, mais sólido financeiramente, mais moderno na sua organização e, acima de tudo, mais unido, próximo e humano. Um clube onde cada sócio, adepto, atleta, colaborador e família vitoriana sinta que faz parte de algo maior”, afirmou Rui Rodrigues no arranque do discurso.
Sob o lema da união e da construção coletiva, o candidato defendeu uma liderança baseada no profissionalismo, na competência e na valorização das pessoas. “Esta candidatura nasce de um sentido de dever e de responsabilidade perante o futuro do clube. Queremos um Vitória moderno e competitivo, preparado para o futuro, mas sem nunca perder a sua identidade, os seus valores e a sua alma”, destacou.
Reestruturação financeira como prioridade
Uma das principais preocupações assumidas por Rui Rodrigues prende-se com a situação financeira da SAD. O candidato garantiu que o crescimento do clube terá de ser sustentado por uma gestão rigorosa e equilibrada. “O Vitória deve crescer com ambição e visão, mas nunca à margem do equilíbrio que garante o seu futuro. A sustentabilidade financeira não é um travão ao crescimento: é a sua condição essencial”, sublinhou.

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Entre as medidas previstas está a reestruturação do passivo de curto prazo, apontada como um dos desafios mais urgentes. Segundo Rui Rodrigues, “a pressão da dívida corrente sobre a tesouraria limita o investimento, condiciona decisões desportivas e fragiliza a posição negocial do Vitória perante parceiros e credores”.
O plano financeiro da candidatura assenta em três pilares: controlo rigoroso dos compromissos financeiros, renegociação da dívida para prazos mais alargados e disciplina orçamental permanente, com monitorização contínua da tesouraria. “O objetivo é transformar a estrutura financeira do clube para que nunca mais esteja refém das urgências do curto prazo”, vincou.
O candidato defendeu ainda a necessidade de aumentar as receitas próprias do clube, reduzindo a dependência da venda de jogadores para equilibrar as contas anuais.
V Sports chamada a assumir papel mais ativo
Outro dos pontos centrais da intervenção foi a relação com a V Sports, acionista de referência da SAD. Rui Rodrigues reconheceu a importância da parceria, mas manifestou a intenção de aprofundar o seu envolvimento estratégico.

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“Queremos uma V Sports mais participativa — não apenas como parceira, mas como verdadeiro parceiro estratégico na ambição do Vitória. Uma parceria que se traduza em envolvimento real nas decisões estratégicas, em sinergias concretas e num compromisso partilhado com os objetivos desportivos do clube”, afirmou.
Academia ganha novo impulso
Durante a apresentação, Rui Rodrigues revelou também novidades sobre o projeto da futura Academia, um dos dossiês mais aguardados pelos adeptos vitorianos.
Segundo explicou, o município deverá incluir no próximo orçamento uma verba destinada à expropriação dos terrenos necessários para a construção da infraestrutura, que posteriormente serão cedidos ao clube. “É um passo histórico, que reconhece a importância do clube para a cidade e para a região, e que abre finalmente a porta a uma infraestrutura que transformará a formação vitoriana”, referiu.
O candidato pretende ainda envolver a V Sports no desenvolvimento do projeto, considerando que a Academia deverá tornar-se “o símbolo mais concreto do Vitória que queremos construir”.
Modelo desportivo assente na formação e na estabilidade
No capítulo desportivo, Rui Rodrigues defendeu a criação de uma identidade de jogo transversal a todos os escalões e uma maior ligação entre a formação e a equipa principal. “Queremos um Vitória que não reaja às circunstâncias, mas que as antecipe. A inteligência no futebol exige uma ideia clara de jogo, reconhecível em todos os escalões”, afirmou.

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O candidato sublinhou a importância de uma estrutura técnica alinhada entre direção desportiva, equipa técnica, scouting, formação e gestão financeira, garantindo que “a ambição desportiva e a responsabilidade financeira caminham juntas”.
Quanto à Equipa B, garantiu que continuará a desempenhar um papel central na transição dos jovens jogadores para o futebol profissional. “Não será uma zona de espera, mas o último degrau antes da chegada à equipa principal”, referiu.
O objetivo desportivo foi igualmente assumido sem ambiguidades: “Competir pela excelência e afirmar presença regular nas competições europeias. Não como exceção, mas como ambição recorrente.”
Gil Lameiras e contas do clube em destaque
Já no final da sessão, Rui Rodrigues respondeu a várias questões dos jornalistas. Confrontado com a possibilidade de manter Gil Lameiras como treinador principal caso seja eleito presidente, optou pela prudência. “O Gil Lameiras é treinador do Vitória. Se vencer as eleições teremos de falar com ele”, afirmou.

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Sobre os números do passivo que têm sido apontados publicamente, o candidato rejeitou os valores avançados nas últimas semanas. “Os números que se falam por aí não são reais. Já temos previsões daquilo que será o fecho do resultado. A única coisa que posso confirmar é que não se coaduna com os valores que são falados. Esqueçam os três dígitos, esqueçam os 90 milhões, esqueçam os 80 milhões”, assegurou.
A candidatura de Rui Rodrigues entra assim oficialmente na corrida eleitoral do Vitória Sport Clube. As eleições acontecem a 13 de junho.





