Guimarães prepara-se para receber milhares de visitantes na Feira Afonsina

A Feira Afonsina regressa ao centro histórico de Guimarães, prometendo quatro dias de recriação histórica, animação e celebração da história fundadora de Portugal. A edição de 2026 decorre entre os dias 11 e 14 de junho, com mais espaço, mais participantes e novas medidas de acessibilidade.

© Carolina Rodrigues / Mais Guimarães

Depois da edição de 2025, integrada nas comemorações dos 900 anos da investidura de D. Afonso Henriques como cavaleiro, a Feira Afonsina regressa este ano ao formato habitual de quatro dias. A realização do evento foi antecipada para não coincidir com a tradicional Ronda da Lapinha, marcada para 21 de junho.

A abertura do certame está marcada para às 18h00 desta quinta-feira, prolongando-se até à 01h00. Na sexta-feira e no sábado, a feira decorrerá entre as 11h30 e a 01h00, encerrando no domingo, dia 14, às 22h00.

A edição deste ano transporta os visitantes até 1126, período marcado pela morte de D. Urraca e pela subida ao trono de Afonso VII de Leão e Castela. A exigência de vassalagem ao jovem infante D. Afonso Henriques desencadeou um processo de afirmação política que acabaria por conduzir à independência de Portugal.

O cartaz oficial, da autoria de João Soares, coloca em destaque o ano de 1128 e a espada de D. Afonso Henriques, símbolo da luta e do percurso que conduziu à fundação do Reino de Portugal.

Entre os momentos centrais da programação destaca-se o espetáculo de recriação histórica “A Afirmação do Infante”, apresentado diariamente junto ao Campo de São Mamede e à Colina do Castelo. Inspirada nos acontecimentos de 1126, a encenação recria os primeiros passos da afirmação política de D. Afonso Henriques, envolvendo atores, figurantes, efeitos cénicos e o património monumental envolvente.

A edição de 2026 assinala também o crescimento do evento, com o alargamento do recinto ao Largo do Donães e à Rua Egas Moniz. Ao todo estarão representadas 229 entidades, superando as cerca de 200 que participaram na edição anterior.

“Na edição de 2026 alargámos a área, aumentamos o número de mercadores e todas as associações vimaranenses que apresentaram candidatura e cumpriram os requisitos foram aceites”, sublinhou Isabel Ferreira.

A vereadora destacou ainda o impacto cultural, turístico e económico do certame. “Temos dados relativamente aos anos anteriores que demonstram que a Feira Afonsina é um evento cultural de valorização do património, mas também com um impacto significativo em termos turísticos”, afirmou.

Isabel Ferreira recordou que a Feira Afonsina é uma presença constante nas feiras de turismo nacionais e internacionais em que o município participa, considerando-a um dos eventos mais marcantes da programação cultural vimaranense.

Segundo a responsável, o município tem vindo a preparar-se para acolher os visitantes e incentivar a sua permanência na cidade. “Acreditamos que este é um evento turístico do ponto de vista da dinamização económica e social do município e do centro histórico. Estamos a preparar-nos para que o impacto seja positivo e expressivo”, acrescentou.

A adesão da comunidade continua igualmente a crescer. A primeira fase de recrutamento de voluntários registou cerca de 100 inscrições, face aos aproximadamente 70 participantes envolvidos na edição anterior.

“A resposta ao apelo para o voluntariado foi muito expressiva, muito superior relativamente àquilo que foram os resultados do ano anterior”, revelou Isabel Ferreira, salientando também o aumento do número de comerciantes e agentes económicos interessados em participar na feira.

A vereadora destacou ainda a forte participação das coletividades vimaranenses. “Ao nível da área dos mercadores houve também uma participação em massa das coletividades vimaranenses, das associações desportivas, culturais, recreativas e grupos de folclore”, afirmou.

“Estes eventos só fazem sentido quando há participação da população. Acreditamos muito na importância da cultura através da participação e este momento é bastante marcante, faz parte da identidade da nossa cidade”, acrescentou.

Entre as principais novidades da edição deste ano encontra-se o reforço das medidas de acessibilidade e inclusão. O recinto contará com lugares de estacionamento reservados para pessoas com mobilidade reduzida, instalações sanitárias adaptadas, sinalética com pictogramas, períodos de menor estímulo sensorial, interpretação em Língua Gestual Portuguesa durante o espetáculo principal e um serviço de transporte acessível mediante reserva prévia.

“Este evento teve um cuidado especial relativamente às questões da acessibilidade e da inclusão”, destacou a vereadora.

A organização sublinhou igualmente o trabalho desenvolvido em parceria com diversas entidades locais, entre as quais A Oficina, a Associação para o Desenvolvimento das Comunidades Locais, a Associação Vimaranense da Hotelaria, o Círculo de Arte e Recreio, o Lar de Santa Estefânia, a Irmandade da Penha, a Santa Casa da Misericórdia de Guimarães, a Universidade do Minho, a Vitrus Ambiente, os Bombeiros Voluntários de Guimarães e o Paço dos Duques de Bragança.

A edição deste ano representa um investimento municipal de cerca de 300 mil euros.

Paralelamente, no dia 20 de junho, a Sociedade Martins Sarmento acolhe a VII edição das Jornadas Históricas, subordinada ao tema “Afonso Henriques: Corpo, Imagem e Poder”, reunindo investigadores de várias áreas para refletir sobre a figura do primeiro rei de Portugal e o seu legado histórico.

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