Fábrica de IA coloca Guimarães no centro da estratégia nacional para a Inteligência Artificial

O Campus de Azurém da Universidade do Minho, em Guimarães, acolheu esta segunda-feira, 15 de junho, a sessão de apresentação "O futuro da IA em Guimarães | Fábrica de IA BSC: IA e Supercomputação ao Serviço da Inovação", do Barcelona Supercomputing Center. Empresas, start-ups e entidades públicas puderam conhecer infraestruturas europeias de supercomputação, casos de uso reais e os mecanismos de acesso à rede europeia de fábricas de IA.

A iniciativa serviu também para destacar o papel crescente do concelho no desenvolvimento de tecnologias avançadas e na construção de um ecossistema de inovação assente na inteligência artificial, supercomputação e transferência de conhecimento para a economia.

© Rodrigo Marques / Mais Guimarães

A sessão foi organizada pelo Município de Guimarães, pela Universidade do Minho e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). O evento transformou-se numa plataforma de visibilidade para empresas em fase de incubação em Guimarães, para organizações que já utilizam o Deucalion nas suas operações e investigação, e para os institutos que fazem a ponte entre a academia e o tecido empresarial, mostrando a transferência de conhecimento como uma vantagem competitiva real.

A abertura contou com as intervenções do presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, do vice-presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, João Nuno Ferreira, e do pró-reitor para a Inovação da Universidade do Minho, Raul Fangueiro.

Na sua intervenção, Raul Fangueiro enquadrou a importância da inteligência artificial no contexto atual, defendendo que esta deixou de ser uma tecnologia do futuro para passar a desempenhar um papel central na transformação da sociedade e da economia. “A inteligência artificial deixou de ser uma promessa tecnológica do futuro para se tornar uma tecnologia estruturante do presente, com impacto profundo na indústria, na saúde, na mobilidade, na energia, na administração pública e na própria produção de conhecimento”, afirmou.

© Rodrigo Marques / Mais Guimarães

Para o pró-reitor, a liderança nesta área depende cada vez mais da capacidade de reunir diferentes dimensões num mesmo ecossistema. “Importa reconhecer que a liderança em inteligência artificial não depende apenas da capacidade científica. Depende da capacidade de integrar ciência, infraestruturas avançadas, talento, empresas e políticas públicas numa visão de longo prazo”, sublinhou.

Nesse sentido, considerou que a Fábrica de IA do Barcelona Supercomputing Center representa muito mais do que uma infraestrutura tecnológica. “Constitui um verdadeiro ecossistema de inovação, combinando supercomputação de ponta, desafios avançados de inteligência artificial, apoio à inovação empresarial e desenvolvimento de talento”, referiu.

Segundo Raul Fangueiro, a participação portuguesa neste projeto europeu, através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e do Centro Nacional de Computação Avançada, abre novas oportunidades para investigadores, startups, pequenas e médias empresas e instituições nacionais, permitindo-lhes aceder a recursos tecnológicos de elevada capacidade.

O responsável destacou ainda que a Europa enfrenta atualmente um desafio estratégico relacionado com a sua soberania tecnológica e que iniciativas desta natureza assumem um papel fundamental nesse contexto. “A soberania tecnológica constrói-se através de infraestruturas científicas, talento qualificado, inovação e colaboração internacional”, afirmou.

Guimarães como território de inovação

Durante a sua intervenção, o pró-reitor destacou igualmente as condições que fazem de Guimarães um território particularmente bem posicionado para beneficiar deste tipo de investimentos.

“O território dispõe de ativos singulares: uma universidade de investigação de excelência, infraestruturas científicas e tecnológicas avançadas, centros de interface e inovação e um tecido empresarial dinâmico, internacionalizado e com forte capacidade industrial”, afirmou.

Na sua perspectiva, esta combinação entre ciência, tecnologia e indústria cria condições excecionais para a adoção e desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial.

© Rodrigo Marques / Mais Guimarães

Raul Fangueiro considerou também que a democratização do acesso à supercomputação e à inteligência artificial permitirá acelerar processos de inovação, desenvolver produtos e serviços de maior valor acrescentado e reforçar a competitividade das empresas.

Mas os benefícios, defendeu, vão além da dimensão tecnológica: “Contribuem para atrair talento, fixar recursos humanos altamente qualificados, estimular o empreendedorismo, reforçar a competitividade das empresas e gerar novas oportunidades económicas para o território”, afirmou.

Sublinhou ainda o papel das universidades nesta transformação, defendendo que estas devem assumir uma função cada vez mais ativa na valorização do conhecimento e na sua transferência para a sociedade. “O nosso papel não é apenas produzir conhecimento. É também assegurar a sua valorização, transferência e relação com a sociedade”, referiu o pró-reitor.

Ricardo Araújo destaca investimento e competitividade

Também Ricardo Araújo aproveitou a sessão para reforçar a estratégia municipal de afirmação de Guimarães como um polo nacional e internacional de inovação.

O presidente da Câmara recordou que o município tem vindo a trabalhar em estreita articulação com a Universidade do Minho, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, centros de investigação e empresas para criar condições que permitam transformar o concelho num território cada vez mais competitivo. “Decidimos definir um objetivo claro para o futuro de Guimarães: transformar esta cidade, que é berço da nação, num berço de inovação”, afirmou.

O autarca destacou que o concelho reúne um conjunto de características diferenciadoras que o colocam numa posição privilegiada para aproveitar as oportunidades associadas às novas tecnologias.

© Rodrigo Marques / Mais Guimarães

Entre esses fatores apontou a forte tradição industrial do território, a presença de uma universidade reconhecida internacionalmente, a existência de centros de investigação de referência e a disponibilidade de recursos humanos altamente qualificados.

“Temos uma universidade de excelência, centros de investigação e desenvolvimento de grande qualidade e um tecido empresarial que sabe o que é produzir, transformar e competir. O desafio passa agora por fortalecer a ligação entre empresas, universidade e recursos humanos”, afirmou.

Para Ricardo Araújo, a inovação é uma condição essencial para aumentar a competitividade das empresas e melhorar os níveis de rendimento do território. “Só teremos empresas mais competitivas e capazes de gerar mais valor se conseguirmos transformar conhecimento em inovação aplicada”, defendeu.

Fábrica de IA e novo centro de dados

Nas declarações prestadas aos jornalistas após a sessão, o presidente da Câmara destacou dois aspetos que considera fundamentais.

“Hoje demos destaque à existência de uma fábrica de inteligência artificial em Guimarães. Este trabalho que temos vindo a desenvolver em parceria com a Fundação para a Ciência e Tecnologia e com a Universidade do Minho é estratégico para a afirmação de Guimarães como um centro de inovação internacional”, afirmou.

O autarca destacou ainda o investimento associado ao novo centro de dados que está a ser desenvolvido em Azurém. “Temos o supercomputador Deucalion, estamos já a trabalhar numa segunda geração, para ter aqui em Guimarães uma fábrica de inteligência artificial e temos um investimento superior a cinco milhões de euros na construção de um novo data center”, referiu.

O novo data center que está em construção, que será o maior do país e deverá estar concluído em setembro, vai alojar supercomputadores e sistemas digitais ao serviço da ciência e da inovação.

Segundo Ricardo Araújo, estes investimentos constituem instrumentos fundamentais para apoiar a competitividade das empresas da região. “É importante para a competitividade do nosso território. Significa que é um instrumento que está à disposição das nossas empresas para acelerar a inovação e reforçar a sua competitividade internacional”, sublinhou.

O presidente da Câmara defendeu ainda que a capacidade tecnológica instalada deve ser aproveitada pelas empresas da região. “Temos de garantir que esta capacidade é utilizada pelas nossas empresas e que contribui para criar mais inovação, mais investimento, mais emprego qualificado e mais desenvolvimento económico”, afirmou.

Deucalion continua a afirmar-se como referência nacional

A sessão incluiu ainda a apresentação do supercomputador Deucalion, atualmente a mais avançada infraestrutura de supercomputação em funcionamento em Portugal.

Instalado no Campus de Azurém, o sistema tem vindo a apoiar projetos científicos e tecnológicos em diversas áreas, disponibilizando capacidade computacional de elevado desempenho para investigadores e instituições nacionais e internacionais.

Após a apresentação, os participantes tiveram oportunidade de visitar as instalações do supercomputador e conhecer de perto o funcionamento daquela que é considerada uma infraestrutura estratégica para o desenvolvimento científico e tecnológico do país.

Para os responsáveis institucionais, a conjugação entre a Fábrica de Inteligência Artificial, o Deucalion, o novo centro de dados e o ecossistema de inovação existente em Guimarães representa uma oportunidade para reforçar a posição do concelho e da região Norte nos domínios da ciência, tecnologia e inovação, colocando estes recursos ao serviço do desenvolvimento económico e da melhoria da qualidade de vida das populações.

PUBLICIDADE
Arcol

NOTÍCIAS RELACIONADAS