Certificação do Caminho de Torres reforça posição de Guimarães na rota dos peregrinos

O Governo certificou oficialmente o Caminho de Torres, um reconhecimento que o Município de Guimarães considera de elevada importância para a valorização histórica, cultural, espiritual e turística do concelho.

© CMG

A certificação, formalizada através de portaria assinada pelos secretários de Estado do Turismo, Comércio e Serviços e da Cultura, reconhece o Caminho de Torres como itinerário oficial dos Caminhos de Santiago, destacando igualmente vários troços históricos de elevado valor patrimonial, entre os quais o circuito urbano de Guimarães.

Para o Município, este reconhecimento reforça o papel da cidade no contexto das grandes rotas culturais e religiosas europeias, projetando Guimarães como um destino de referência para o turismo cultural, religioso e patrimonial. A relevância da distinção ganha particular significado numa cidade classificada como Património Mundial da UNESCO, através do Centro Histórico de Guimarães e da Zona de Couros, onde a preservação da memória, da arquitetura e da identidade local constitui um dos principais atrativos para visitantes e peregrinos.

O Caminho de Torres, que adota o nome do escritor salmantino Diego de Torres Villarroel, considerado o seu mais célebre peregrino, percorre antigas vias medievais que ligavam Salamanca e o interior de Portugal às rotas que conduzem a Santiago de Compostela. Ao longo de cerca de 600 quilómetros e mais de 25 dias de caminhada, o itinerário atravessa territórios de grande riqueza histórica, cultural e paisagística.

Na Região Norte, o percurso certificado estende-se por 180,49 quilómetros e atravessa 15 municípios: Sernancelhe, Moimenta da Beira, Tarouca, Lamego, Peso da Régua, Mesão Frio, Baião, Amarante, Felgueiras, Guimarães, Braga, Vila Verde, Ponte de Lima, Paredes de Coura e Valença.

A fundamentação da certificação assenta numa extensa investigação académica que comprova a antiguidade do itinerário e a continuidade da sua utilização ao longo dos séculos. Entre os testemunhos históricos encontram-se o relato de Diego de Torres Villarroel, as peregrinações associadas a São Gonçalo e diversos registos documentais que evidenciam a importância do caminho desde a Idade Média.

O itinerário integra ainda um vasto conjunto de património religioso e civil associado à devoção jacobeia. Em Guimarães, além da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, destacam-se os conventos de São Francisco e de São Domingos, ligados à memória de São Gualter e do beato Frei Lourenço Mendes.

A dimensão patrimonial constitui um dos principais fatores distintivos do Caminho de Torres. O percurso atravessa duas áreas classificadas como Património Mundial da UNESCO, o Alto Douro Vinhateiro e o Centro Histórico de Guimarães, bem como outros espaços de elevado valor histórico, cultural, geográfico e paisagístico.

O caminho distingue-se ainda pela valorização da cultura imaterial e pela proposta de um verdadeiro “caminho literário”, passando por territórios associados a algumas das mais relevantes figuras da literatura portuguesa, como Raul Brandão, Teixeira de Pascoaes, Miguel Torga, José Leite de Vasconcelos, Camilo Castelo Branco e Aquilino Ribeiro.

Segundo o Município de Guimarães, a certificação representa uma oportunidade para reforçar a cidade como território de património, espiritualidade e hospitalidade, promovendo uma experiência de visita mais qualificada e próxima da comunidade local.

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