Lista C fecha capítulo eleitoral, mas deixa duras críticas à transparência do processo

Candidatura liderada por Viriato Sampaio mantém dúvidas sobre a regularidade das eleições de 13 de junho, mas garante que não avançará para a via judicial em nome da estabilidade do clube.

© Mais Guimarães

Em comunicado, a Lista C às eleições do Vitória Sport Clube anuncia que não recorrerá aos tribunais para contestar o ato eleitoral, apesar de afirmar que continuam por esclarecer várias questões relacionadas com o processo que conduziu à eleição dos novos órgãos sociais do clube.

Num extenso comunicado dirigido aos associados, a candidatura liderada por Viriato Sampaio faz um balanço dos acontecimentos que se seguiram ao escrutínio e explica as razões que a levaram a solicitar averiguações internas sobre a regularidade das eleições, sublinhando que sempre atuou através dos mecanismos previstos nos Estatutos e procurando evitar a exposição pública do Vitória SC.

Segundo a Lista C, as dúvidas surgiram na sequência de diversas situações reportadas durante e após o processo eleitoral, especialmente tendo em conta a reduzida diferença que separou as candidaturas mais votadas. Recorde-se que a eleição foi decidida por apenas dois votos, num universo de quase 6.500 associados que participaram no sufrágio.

Pedido de averiguação sem resposta direta

No comunicado, a candidatura afirma ter enviado, a 15 de junho, uma carta aos órgãos competentes do clube solicitando esclarecimentos e a realização de averiguações relativamente a alegadas irregularidades verificadas durante o ato eleitoral.

A Lista C lamenta, contudo, que o Conselho de Jurisdição e o Conselho Vitoriano tenham optado por responder através de comunicados públicos publicados no site oficial do Vitória SC, sem que tivesse sido enviada uma resposta formal e direta aos requerentes.

De acordo com a candidatura, os esclarecimentos tornados públicos não responderam de forma satisfatória a várias das questões colocadas nem permitiram perceber quais as diligências concretas realizadas para apurar os factos denunciados.

Os responsáveis da Lista C sustentam que um pedido fundamentado de averiguação exigia uma análise aprofundada e uma comunicação direta das conclusões alcançadas antes da divulgação pública de qualquer posição institucional.

Voto por correspondência entre as principais preocupações

Entre os aspetos que continuam a suscitar reservas, a candidatura destaca situações relacionadas com o voto por correspondência. Segundo o comunicado, foram reportados casos de associados que manifestaram atempadamente a intenção de votar por esta via, tendo inclusivamente insistido junto dos serviços do clube, mas que alegadamente nunca receberam os respetivos boletins de voto.

A Lista C refere igualmente situações em que votos enviados por associados não terão sido considerados por não terem sido remetidos através de correio registado, requisito cuja interpretação e enquadramento estatutário considera merecedores de esclarecimento adicional.

A candidatura entende que estas circunstâncias justificariam uma averiguação mais aprofundada, sobretudo devido ao impacto potencial que poderiam ter tido num ato eleitoral decidido por uma margem tão reduzida.

Dúvidas sobre cadernos eleitorais e elegibilidade de votantes

Outro dos temas abordados prende-se com a composição dos cadernos eleitorais e com a capacidade eleitoral ativa de alguns associados. A Lista C refere dúvidas quanto à participação de votantes enquadrados em categorias distintas da de sócio efetivo, incluindo sócios atletas, defendendo que a questão merecia uma verificação mais detalhada.

Paralelamente, critica as limitações impostas ao acesso e consulta dos cadernos eleitorais, tanto antes da votação como após o encerramento das urnas, considerando que essas restrições dificultaram a fiscalização independente do processo.

O comunicado menciona ainda dificuldades na obtenção de documentação eleitoral considerada essencial para a análise dos resultados, incluindo a ata da Assembleia Geral Eleitoral.

Questões sobre transparência e documentação eleitoral

Entre as reservas apresentadas pela candidatura encontra-se também a forma como a documentação eleitoral foi disponibilizada. A Lista C afirma que, até à data, não lhe foi facultada toda a informação solicitada, impedindo uma verificação independente e completa do processo.

Em particular, aponta dúvidas relativamente ao conteúdo da ata eleitoral, sustentando que o documento apenas indica o número de votos nulos apurados sem identificar as respetivas causas ou fundamentos.

Segundo a candidatura, os Estatutos do clube preveem o registo dessas ocorrências, pelo que considera que a situação merece esclarecimento e eventual correção por razões de rigor documental e transparência.

Alegados conflitos de interesse

O comunicado dedica igualmente um capítulo à composição do Conselho de Jurisdição durante a apreciação das reclamações apresentadas. A Lista C considera que a participação de membros daquele órgão que integravam simultaneamente a candidatura vencedora e que subscreveram o comunicado de resposta ao pedido de averiguação levanta uma questão objetiva de conflito de interesses.

Apesar de ressalvar a honorabilidade pessoal dos envolvidos, entende que a circunstância poderia comprometer a perceção de imparcialidade do processo de análise das reclamações.

Também o comunicado emitido pelo Conselho Vitoriano é alvo de críticas, por ser considerado insuficiente para responder às questões colocadas e por não substituir a apreciação que, segundo a candidatura, competiria ao órgão estatutariamente responsável pela fiscalização da regularidade eleitoral.

Recontagem recusada

Um dos pontos mais enfatizados pela Lista C é a recusa da realização de uma recontagem dos votos. A candidatura recorda que solicitou essa medida imediatamente após o anúncio dos resultados oficiais, mas que o pedido não foi aceite.

Segundo os responsáveis do movimento, uma recontagem teria contribuído para reforçar a confiança dos associados e dissipar quaisquer dúvidas remanescentes sobre o resultado final. A candidatura afirma ainda ter procurado sensibilizar a lista declarada vencedora para a importância desse procedimento, mas sem sucesso.

Para a Lista C, uma diferença de apenas dois votos justificaria, por razões de prudência e transparência, a realização de uma nova contagem.

“O Vitória está acima de qualquer disputa eleitoral”

Apesar das críticas e das dúvidas que afirma manter relativamente ao processo, a Lista C anuncia que não avançará para os tribunais. A decisão é justificada com a necessidade de proteger a estabilidade institucional do Vitória Sport Clube e evitar um prolongamento da polémica que, na sua perspetiva, acabaria por prejudicar mais o clube do que beneficiá-lo.

No comunicado, os responsáveis sublinham que a opção não significa que todas as dúvidas tenham sido esclarecidas nem que não existam elementos que sustentem as preocupações manifestadas. Ainda assim, entendem que os interesses superiores do Vitória devem prevalecer sobre qualquer disputa eleitoral.

Na parte final do documento, a Lista C agradece aos 6.470 sócios que participaram nas eleições e dirige uma palavra especial aos 2.026 associados que votaram no projeto que representava.

A candidatura deixa igualmente uma mensagem de reconhecimento às restantes listas concorrentes, A, B e D, defendendo que a pluralidade de ideias fortalece a democracia interna do clube. Embora anuncie o fim formal da candidatura, o movimento garante que continuará atento à vida do Vitória SC, acompanhando a atividade dos órgãos sociais com espírito crítico e construtivo.

“O nosso compromisso nunca foi com um ato eleitoral. Foi, e continuará a ser, com o Vitória Sport Clube”, afirma a Lista C, encerrando o comunicado com uma mensagem de união e de esperança para o futuro do emblema vimaranense.

Com esta tomada de posição, a candidatura coloca um ponto final na contestação pública ao processo eleitoral, mas deixa registadas as reservas que continua a ter sobre vários aspetos da eleição que definiu a liderança do clube para os próximos anos.

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