Uma vitória que deve fazer refletir o Vitória

As eleições de 13 de junho de 2026 ficarão para a história do Vitória Sport Clube por várias razões. Pela primeira vez, os sócios tiveram à sua disposição quatro candidaturas distintas, reflexo da vitalidade democrática do clube, da diversidade de opiniões existente no universo vitoriano e da vontade de participar na definição do seu futuro.

© Eliseu Sampaio

Mas os números que saíram das urnas devem merecer uma reflexão séria. Rui Rodrigues venceu as eleições por dois votos e será o presidente dos vitorianos. No entanto, fê-lo com cerca de 30% dos votos expressos e numa eleição em que menos de metade dos sócios com capacidade eleitoral participou. Isto significa que a lista vencedora recolheu o apoio de uma parcela relativamente reduzida do universo associativo do clube.

Esta realidade não retira legitimidade formal ao novo presidente. As regras eram conhecidas por todos. Mas reduz inevitavelmente a sua força política e a margem de manobra para enfrentar os enormes desafios que o Vitória tem pela frente.

O clube atravessa um período particularmente exigente, dentro e fora de campo, e a divisão expressa nas urnas demonstra que existe um Vitória fragmentado, com sensibilidades distintas e expectativas elevadas. Rui Rodrigues terá de ser capaz de unir o clube, agregar vontades e construir pontes entre aqueles que estiveram em campos opostos durante a campanha.

Mais do que nunca, o sucesso da sua liderança dependerá dos resultados. Da sua capacidade de gestão, da estabilidade institucional que conseguir criar e, sobretudo, do desempenho da equipa principal de futebol. Apenas um Vitória forte, competitivo e vencedor poderá ajudar a ultrapassar as divisões que o processo eleitoral evidenciou.

Há, contudo, uma lição incontornável. Um clube com a dimensão do Vitória não pode eleger os seus dirigentes com uma vitória obtida por apenas 30% dos votos. A introdução de uma segunda volta entre os dois candidatos mais votados deve ser colocada, logo que possível, nos estatutos do clube.

Aos novos órgãos sociais resta desejar competência, coragem e sucesso.

PUBLICIDADE
Arcol

NOTÍCIAS RELACIONADAS