Guimarães distinguiu Wladimir Brito com Medalha de Mérito Cívico

Na sessão solene das comemorações do Dia Um de Portugal, a 24 de junho, Guimarães prestou homenagem a Wladimir Brito, distinguindo-o com a Medalha de Mérito Cívico.

© Rodrigo Marques / Mais Guimarães

Nascido na Guiné-Bissau em 1948, filho de pais cabo-verdianos, Wladimir Brito cresceu e estudou no Mindelo, em São Vicente, Cabo Verde, antes de prosseguir os seus estudos em Direito na Universidade de Coimbra. A sua oposição ao Estado Novo valeu-lhe a expulsão da universidade e a incorporação no Exército. Como alferes, participou ativamente no 25 de Abril de 1974, tomando o quartel da Figueira da Foz na madrugada da Revolução dos Cravos.

Uma vida ao serviço da liberdade e da justiça

Concluída a licenciatura, partiu para a Guiné-Bissau, onde exerceu como advogado e juiz. Fiel aos princípios da liberdade e da justiça acima de quaisquer convicções conjunturais, opôs-se ao regime de partido único que governava ditatorialmente o país. Ficou célebre a sua defesa de Rafael Barbosa, fundador do PAIGC, a quem salvou da pena de morte. Estas ações colocaram a sua vida em risco e ditaram o regresso a Portugal em 1977, fixando-se definitivamente em Guimarães.
A ligação à lusofonia e à democracia nunca se interrompeu. No início da década de 1980, associou-se aos movimentos democráticos cabo-verdianos e foi convidado pelos juristas daquele país para redigir a Constituição de 1992, que permitiu a transição pacífica para a democracia pluripartidária, tornando Cabo Verde numa referência mundial de funcionamento democrático e institucional.

Académico de referência na Universidade do Minho

A partir de Guimarães e da Escola de Direito da Universidade do Minho, tornou-se uma das vozes mais respeitadas da lusofonia sobre cidadania, direitos humanos, democracia e direito internacional público e constitucional. Exerceu os cargos de vice-presidente da Escola, presidente do Conselho de Escola e diretor do Departamento de Ciências Jurídicas Públicas, terminando a carreira académica como Professor Catedrático. Doutorou-se em Direito na Universidade de Coimbra, onde viria também a lecionar Direito Diplomático.

Foi ainda diretor do Instituto Jurídico da Universidade Portucalense, fundador e presidente do Observatório Lusófono dos Direitos Humanos, e presidente do Conselho do Ensino Superior Militar de Portugal entre 2017 e 2024, entre muitos outros cargos de relevo. Era membro da lista de Conciliadores das Nações Unidas, designado pelo Governo de Portugal.

Cinco décadas de vida vimaranense

Em Guimarães, Wladimir Brito exerceu advocacia durante quase 50 anos e participou ativamente na vida cívica da cidade, no Cineclube, no Convívio, na ADCL e na Sociedade Martins Sarmento, entre outras instituições. Empenhou-se nas mais variadas causas, da ecologia à cultura, da ciência às artes, e nunca deixou de elogiar a escala e a dimensão humanas de Guimarães.

Ao longo da vida, recebeu inúmeras distinções, entre as quais a Primeira Classe da Medalha de Mérito pelo Presidente da República de Cabo Verde, o Estatuto de Combatente da Liberdade da Pátria pela Assembleia Nacional de Cabo Verde e a Medalha da Marinha do Brasil. Postumamente, foi agraciado com a Medalha de Defesa Nacional de Primeira Classe pelo Ministério da Defesa de Portugal.

 

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