Guimarães disponível para aliança estratégica com os Açores, afirma Ricardo Araújo

O presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, confirmou que o município já manifestou formalmente a sua disponibilidade para estabelecer uma parceria estratégica com o Governo Regional dos Açores, na sequência da proposta avançada pelo secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, para assinalar os 600 anos da descoberta do arquipélago, em 2027, e os 900 anos da Batalha de São Mamede, em 2028.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães

Depois da conferência “Espaço: Conhecimento, Defesa e Economia”, realizada no Centro Cultural Vila Flor, Ricardo Araújo revelou aos jornalistas no final da reunião de Câmara de segunda-feira, que o primeiro contacto partiu dos Açores logo no início do seu mandato.

“Recebi uma comunicação formal do Governo Regional dos Açores a manifestar esse interesse de colaboração estratégica entre os Açores e Guimarães em torno da celebração dos 600 anos dos Açores, em 2027, ligando isso aos 900 anos de São Mamede, que celebraremos em 2028. Prontamente manifestei, também por escrito, a disponibilidade de Guimarães”, afirmou.

O autarca explicou que esta cooperação assenta em dois eixos que considera estruturantes para a estratégia do concelho: a valorização da história e a aposta na inovação. “Vejo isso com muito interesse por duas razões que fazem parte da nossa agenda: a ligação da história com a inovação”, referiu, acrescentando que a parceria permitirá promover, por um lado, as celebrações de datas marcantes da história nacional e, por outro, reforçar a colaboração em áreas tecnológicas emergentes.

Para Ricardo Araújo, as comemorações dos 600 anos da descoberta dos Açores e dos 900 anos da Batalha de São Mamede representam momentos que ultrapassam a dimensão regional. “São celebrações nacionais, protagonizadas nos Açores e em Guimarães, mas que pertencem à história de Portugal”, salientou.

Além da vertente histórica, o presidente da Câmara destacou o potencial de cooperação entre os dois territórios na economia do espaço, área em que considera existir uma complementaridade natural. “Os Açores estão muito bem posicionados na liderança deste processo no domínio aeroespacial. Pode haver aqui uma cooperação e uma articulação conjunta entre Guimarães e os Açores, tanto ao nível histórico como nos domínios da inovação, em particular neste setor aeroespacial”, afirmou.

Ricardo Araújo recordou ainda a presença do secretário regional dos Açores na conferência dedicada ao espaço, na passada sexta-feira, considerando que esse encontro reforçou a vontade de aprofundar esta colaboração entre os dois territórios.

A resposta do autarca surge depois de Paulo Estêvão ter defendido uma aliança entre os Açores e Guimarães para celebrar duas efemérides marcantes da história nacional e, simultaneamente, potenciar uma estratégia conjunta no desenvolvimento da indústria espacial portuguesa. O governante açoriano apontou a capacidade industrial e tecnológica de Guimarães como complementar ao posicionamento estratégico dos Açores no Atlântico, defendendo que o país deve desenvolver toda a cadeia de valor do setor espacial em território nacional.

Em Guimarães, na fábrica do Alto em Pevidém, está a ser instalada a priméira fábrica de satélites ópticos em Portugal. Na ilha de Santa Maria, nos Açores, está programada a instalação de um complexo para o lançamento de satélites.

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