Proposta do PS para criar equipas multidisciplinares de serviços urbanos chumbada pela maioria
A proposta do Partido Socialista para a criação de Equipas Multidisciplinares de Serviços Urbanos foi rejeitada na reunião do Executivo Municipal desta segunda-feira, com os votos contra da maioria da Coligação Juntos por Guimarães (PSD/CDS-PP) e a abstenção do vereador do Chega, Nuno Vaz Monteiro.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães
A iniciativa socialista defendia uma reorganização dos serviços municipais de proximidade, através da constituição de equipas operacionais multidisciplinares, distribuídas pelo território, com competências nas áreas da limpeza urbana, manutenção de espaços verdes, pequenas reparações na via pública e apoio logístico a eventos e estabelecimentos de ensino.
Segundo a proposta, estas equipas deveriam funcionar numa lógica policêntrica, assente nas Comissões Sociais Interfreguesias (CSIF), permitindo uma resposta mais rápida às necessidades das freguesias e uma maior proximidade aos cidadãos. O documento previa ainda a afetação de recursos humanos polivalentes, maquinaria, viaturas e equipamentos próprios.
Ricardo Costa acusa maioria de “partidarismo”
Após a reunião, o vereador do PS, Ricardo Costa, considerou que o presidente da Câmara demonstrou concordar com a proposta ao sugerir que esta fosse retirada para ser trabalhada pelos serviços municipais. “Quando o senhor presidente me sugere retirar a proposta para trabalhar com os serviços da Câmara Municipal, está claramente a dizer que concorda com ela”, afirmou.
Ricardo Costa defendeu que o objetivo passava por uma reorganização dos serviços municipais para garantir maior rapidez na resposta às solicitações das juntas de freguesia. “O que está aqui em causa é reorganizar os serviços para responder de forma mais ágil aos problemas do dia a dia das pessoas”, sustentou.
O socialista rejeitou ainda as críticas de falta de rigor técnico, sublinhando que o estudo apresentado identifica a realidade demográfica e os equipamentos existentes em cada freguesia, considerando que a proposta teve em conta critérios de densidade populacional e necessidades dos territórios.
Para Ricardo Costa, o chumbo teve uma motivação exclusivamente política. “O senhor presidente chumbou esta proposta por questões partidárias e não por questões de interesse dos vimaranenses”, afirmou, admitindo mesmo que a Câmara possa apresentar, dentro de alguns meses, uma iniciativa semelhante “com outra roupagem”.
O vereador garantiu ainda que o Partido Socialista continuará a apresentar propostas nas áreas da mobilidade, habitação, saúde e organização dos serviços municipais, assumindo uma postura de “crítica construtiva”.
Maioria aponta fragilidades técnicas e ausência das juntas
A maioria justificou o voto contra através do vereador Alberto Martins, responsável pela ligação do Município às freguesias. Segundo o autarca, a proposta apresentava “fragilidades importantes”, começando pela insuficiente fundamentação técnica e financeira. “O território não pode ser analisado apenas pelo número de habitantes ou de fogos. Existem especificidades que esta proposta não contempla”, afirmou.

© Mais Guimarães
Alberto Martins criticou ainda o facto de as juntas de freguesia não assumirem um papel central na organização do modelo proposto. “As juntas de freguesia não aparecem, em ponto algum, enquanto parceiros decisivos na organização e no planeamento do trabalho”, referiu.
O vereador acrescentou que a proposta não esclarecia se as novas equipas iriam assumir competências atualmente delegadas nas juntas, nomeadamente ao nível da limpeza de vias, valetas e sumidouros ou da manutenção dos espaços verdes. Perante essas dúvidas, considerou que a rejeição da proposta era inevitável.
Câmara prepara reforço do apoio às freguesias
Questionado sobre a possibilidade de o Município vir a adotar algumas das ideias apresentadas pelo PS, Alberto Martins afastou esse cenário nos moldes propostos, defendendo que qualquer reorganização deverá resultar de uma reflexão mais aprofundada e articulada com as juntas de freguesia.
O vereador destacou ainda que o Executivo está a reforçar a relação de proximidade com as freguesias e confirmou que o novo Gabinete de Apoio às Juntas de Freguesia deverá entrar em funcionamento até ao final do ano, no âmbito da nova reorganização orgânica dos serviços municipais. “Será a primeira vez que existirá um gabinete dedicado exclusivamente às juntas de freguesia”, afirmou, garantindo que o Município continuará a reforçar os mecanismos de apoio e resposta às necessidades do território.





