Residências do Avepark entram na reta final após derrapagem de custos e processo “altamente complexo”
Ricardo Araújo visitou a obra e garantiu estar “muito confiante” no cumprimento dos prazos do PRR. Residência com 177 camas deverá atingir 90% de execução no final de agosto e ser inaugurada até outubro.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães
As Residências Universitárias do Avepark estão finalmente na reta final. O presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, visitou esta terça-feira a empreitada e mostrou-se confiante de que a obra poderá cumprir os prazos definidos no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), depois de um processo marcado por atrasos, suspensão dos trabalhos, dificuldades jurídicas e uma significativa subida do custo da empreitada.
O projeto vai disponibilizar 177 camas para estudantes no Avepark e representa atualmente um investimento global de cerca de 18 milhões de euros. Deste montante, cerca de 8 milhões de euros correspondem a financiamento do PRR, sendo o restante suportado pelo Município de Guimarães.
A obra foi inicialmente lançada por um valor significativamente inferior. O projeto tinha um custo previsto de cerca de 13,8 milhões de euros, o que correspondia a aproximadamente 77.900 euros por cama. A evolução da empreitada acabaria, contudo, por provocar uma subida substancial do investimento, ultrapassando agora os 100 mil euros por cama.
Com 177 camas e um investimento global de cerca de 18 milhões de euros, o projeto representa um custo superior a 101 mil euros por cama. Em Braga, a futura residência da Fábrica Confiança, com 750 camas e um investimento de 25,5 milhões de euros, apresenta um custo aproximado de 34 mil euros por cama. Em Vila Nova de Famalicão, são 91 camas para um investimento de 5,4 milhões de euros, cerca de 59 mil euros por cama, enquanto a residência de Santa Luzia, em Guimarães, com um investimento estimado em seis milhões de euros, representa aproximadamente 40 mil euros por cama. A comparação coloca a residência do Avepark significativamente acima dos restantes projetos analisados no que respeita ao custo por cama.
Uma obra que esteve parada
Quando o atual Executivo Municipal iniciou funções, a empreitada encontrava-se suspensa, depois de ter atingido cerca de 58% de execução. O processo envolvia o consórcio constituído pelas empresas Lúcios e Incons, tendo os problemas na execução levado à interrupção dos trabalhos e à necessidade de encontrar uma solução para concluir o projeto.
Foi neste contexto que a nova Câmara Municipal teve de enfrentar um processo que Ricardo Araújo descreve como “altamente complexo” do ponto de vista jurídico-administrativo. “Esta obra, quando entrei como Presidente de Câmara, estava parada, estava suspensa do ponto de vista da sua execução e também com um contexto jurídico-administrativo altamente complexo”, afirmou o autarca aos jornalistas, no final da visita.
A resolução do processo obrigou o Município a avançar para uma nova solução para a conclusão da empreitada. Em janeiro deste ano, a Câmara adjudicou à Costeira – Engenharia e Construção a conclusão dos trabalhos, por cerca de 10,08 milhões de euros, acrescidos de IVA.
A nova empreitada permitiu retomar os trabalhos e colocar novamente o projeto no caminho da conclusão.
O risco de perder oito milhões do PRR
A situação assumia particular importância devido aos prazos associados ao financiamento comunitário. Com a obra parada e o processo jurídico-administrativo por resolver, existia um risco significativo de o Município não conseguir cumprir os compromissos assumidos no âmbito do PRR e, consequentemente, perder os milhões de euros de financiamento atribuídos.
“Uma das grandes preocupações quando entrei era precisamente o risco de perdermos o financiamento destes 8 milhões de euros que já tinham sido atribuídos. E esse risco era extremamente elevado, porque a obra estava parada e o processo, do ponto de vista jurídico, era altamente complexo”, recordou Ricardo Araújo.
“Os problemas nós podemos explicá-los. Depois cabe assumir as responsabilidades e resolver. Foi isso que o meu Executivo esteve a fazer. No meio de toda a dificuldade, pusemos mãos à obra e hoje estamos aqui a verificar que a obra está prestes a ser concluída”, afirmou.
90% no final de agosto e inauguração até outubro
A execução da empreitada entrou agora numa fase decisiva. No âmbito dos compromissos assumidos com o PRR, está previsto que a obra atinja 90% de execução até ao final de agosto.
Depois da visita ao local, Ricardo Araújo mostrou-se confiante no cumprimento desse objetivo. “Fiz questão de vir ao terreno e comprovar que a obra está a correr a um bom ritmo. Estamos a fazer um grande esforço para cumprir o prazo que está estabelecido e, depois do que vi, saio daqui muito confiante de que vamos conseguir”, afirmou.
A expectativa do Município é que, depois de atingida essa fase de execução, sejam concluídos os trabalhos e os procedimentos necessários para que a residência possa ser inaugurada até ao final de outubro.
O presidente da Câmara fez questão de agradecer aos trabalhadores que estão diariamente no local e às empresas envolvidas na empreitada. “Quero agradecer e deixar uma palavra de agradecimento em primeiro lugar aos nossos serviços municipais, mas também a todas as empresas que estão envolvidas na concretização desta obra, pelo esforço que todos estão a fazer para podermos cumprir com o prazo que está estabelecido”, afirmou.
Ricardo Araújo destacou ainda que, apesar do período de férias, há equipas a trabalhar no terreno para garantir o cumprimento dos objetivos definidos. “Há muita gente a trabalhar para podermos cumprir com estes objetivos que são importantes para Guimarães”, acrescentou.
177 camas para reforçar Guimarães enquanto cidade universitária
Com 177 camas, a residência pretende dar resposta às necessidades de alojamento de estudantes e investigadores ligados ao crescente ecossistema de ensino superior, ciência e inovação de Guimarães.
Embora instalada no Avepark, a infraestrutura terá uma utilização que ultrapassa o próprio Parque de Ciência e Tecnologia. Segundo Ricardo Araújo, poderá acolher estudantes da Universidade do Minho e do UPCA, incluindo alunos de licenciatura, mestrado, doutoramento, formação avançada e formação executiva.
“Espero que tenha um impacto significativo para o acolhimento de estudantes na Universidade do Minho, em Guimarães, para o UPCA, no fundo para o ecossistema de ensino superior que nós temos no nosso concelho”, afirmou.
A residência deverá também apoiar o crescimento do próprio Avepark, disponibilizando capacidade de alojamento para investigadores e outros profissionais ligados às atividades de investigação e desenvolvimento instaladas no Parque de Ciência e Tecnologia. “Estas residências também visam servir o crescimento deste Parque de Ciência e Tecnologia e toda a investigação que lhe está associada”, explicou.





