Os comerciantes adaptaram-se a novas regras — e os clientes cumprem-nas

Uma semana após a reabertura do pequeno comércio, os comerciantes entrevistados pelo Mais Guimarães apresentam posturas diferentes. Mas, entre o otimismo e a hesitação, espera-se que tudo volte ao normal. E que todos os negócios aguentem.

As lojas com porta aberta para a rua e com áreas até 200 metros quadrados puderam retomar atividade a 04 de maio. E a incerteza que marcou a reabertura do pequeno comércio em Guimarães não foi substituída, mas, volvida uma semana, deu lugar a uma espécie de filosofia que, perante o desconhecido, acalma dos comerciantes e empresários: entre “um dia de cada vez” e “devagarinho volta-se ao normal”, os dias vão passando e as medidas de higiene cumprem-se. Com mais ou menos otimismo, certo é que os clientes ainda “têm receio”. E também saudades de entrar pelos espaços comerciais adentro com a normalidade de outros dias.

Na semana passada, Sílvia Meira contava ao Mais Guimarães que a reabertura do seu salão de beleza estava a correr “muito bem”. Dias depois, o balanço positivo mantém-se: as marcações são muitas e as clientes “continuam cumpridoras das regras e dos horários e entendem se houver uma alteração”. No que diz respeito à faturação, assegura que esta “foi, evidentemente, a melhor semana desde o início do ano”: “Faturo o dobro. Estamos a atender duas pessoas de cada vez. Dantes, atendíamos seis.” Num dia-a-dia “sem horas mortas”, Sílvia aponta que “as clientes tinham muita vontade de voltar” — e isso pode ser o maior motivo para este novo fôlego, após dois meses de portas fechadas. No Maison Cabeleireiro, há um kit para cada cliente, “com uma toalha descartável, pezinhos para calçar e uma capa para cadeira”, como já tinha contado a empresária ao Mais Guimarães.

Noutros negócios, a retoma da normalidade possível foi vivida, também, através de adaptações. A Clarinha continua a adoçar o paladar, mas de forma diferente: “Já abrimos portas, mas só funcionamos por take-away. Ou seja, não é permitida a permanência de clientes no interior e segue tudo em embalagens.” O abalo que a pandemia trouxe aos negócios ainda se reflete nas contas da pastelaria. Num primeiro balanço, Rosário Ferreira, uma das proprietárias, indica que a Clarinha está “a faturar 20% daquilo que é normal — mesmo com as entregas ao domicílio. Na semana passada, Rosário apontava uma possível explicação: “As pessoas foram-se entretendo em casa a fazer alguns doces e, por isso, apenas houve umas encomendas pontuais.” Para lá das aventuras domésticas na cozinha, Rosário indica ainda que “o receio” das pessoas também tem a sua influência. E as despesas “são fixas”: “Há a luz para pagar e não há descontos. Continuamos a ter IVA, Segurança Social e renda para pagar. É muito complicado.” Quanto às medidas de higiene, a proprietária da pastelaria assegura que o espaço já era cumpridor de “maior parte”, como “a desinfeção das mesas”. “Também não será muito complicado pôr só um terço da lotação. As medidas de higiene vão ser mais difíceis para a restauração e não tanto nas pastelarias. Será complicado, sim, a nível da faturação”, afirma.

“Nunca perder a esperança”

Rosário espera “que todos os negócios aguentem”, mas pensa ser possível ver alguns espaços a fechar portas devido a todas as regras e custos associados. A mesma esperança é partilhada por Cristina Faria, presidente da Associação do Comércio Tradicional de Guimarães (ACTG) e proprietária da Casa Faria. Quanto a balanços, a presidente da ACTG diz que “esta semana tem corrido melhor”. “Os comerciantes dizem-me que os clientes já entram mais à vontade nas lojas, compram e cumprem as restrições”, conta. Ainda que a clientela regresse às lojas “um bocadinho a medo”, Cristina acredita que “isto, devagarinho, vai voltar ao normal”.

E, até voltar, vai-se “além das normas”. “Temos falado com os pneumologistas para tentar perceber o que é preciso e todos recomendam a limpeza e a proteção dos pés. É aconselhável, mesmo em casa”, começa por dizer. Por isso, a ACTG “aposta bastante”, por exemplo, em tapetes desinfetantes. E os restantes equipamentos de proteção individual continuam a ocupar o seu lugar de destaque. Cristina indica ainda que “todos os espaços associados” da ACTG estão “abertos e a funcionar”. Agora, diz, “é publicitar Guimarães” para que os comerciantes recomecem da maneira possível. “E nunca perder a esperança.”

Com Nuno Rafael Gomes

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