A AFIRMAÇÃO DO JAZZ EM GUIMARÃES

Terminava, há uma semana, a 28.ª edição do Guimarães Jazz. Houve quem viesse de longe para marcar presença naquele que é, segundo a opinião de alguns, “o melhor festival de Portugal”.

© CMG

Leonel Santos é de Lisboa e já não sabe ao certo há quantos anos marca presença no Guimarães Jazz. “Venho há cerca de 15 ou 20 anos… Já faz parte da minha rotina”, admite. Se há algo de que não tem dúvidas é que o Guimarães Jazz, que no passado dia 16 de novembro fechou a 28.ª edição, “é o melhor festival de Portugal”. “Nem vale a pena estarmos a comparar… Não há nada parecido”, elogia o também autor do blogue Jazz Logical.

Para Leonel, esta foi uma edição “fantástica”, “diversificada” e elucidativa daquilo que é “o panorama do jazz no século XXI”. Leonel viaja anualmente para Guimarães, onde normalmente permanece uma semana, e encontra amigos que, durante todo o ano, não consegue encontrar em Lisboa. “Este ano somos oito… Mas já chegamos a ser 12 a vir de Lisboa. Tentamos vir sempre na mesma altura”, esclarece. “Vocês têm indiscutivelmente o melhor festival do país e, além disso, Guimarães é uma cidade maravilhosa, que recebe bem. Se não viesse cá, sentia falta”, conta.

Leonel Santos não é o único a viajar propositadamente para o festival, segundo o programador do festival, Ivo Martins. “É engraçado saber que uma parte substancial deste público não é de Guimarães. Há muitos que vêm da Galiza e, na verdade, vem gente de todo o país. Vem público do estrangeiro, que passam aqui dias a ver o festival. É espantoso”, admite. O também diretor artístico assume que ter “um público fiel” representa “uma grande responsabilidade”. “Trouxemos o festival até este ponto e agora temos obrigação de o manter. Às vezes questionamo-nos: como é que chegamos até aqui?”, confessa Ivo Martins que, à 28º edição, cumpre 24 anos de ligação ao Guimarães Jazz. Neste que foi o segundo ano consecutivo de um alinhamento de 13 concertos em 10 dias, Ivo Martins admite que o formato permite “outro tipo de abordagens” e a “exploração de outro tipo de jazz e de projetos com parcerias que envolvem músicos portugueses”. “Esta possibilidade de aumentarmos o número de concertos permitiu-nos abarcar muito mais jazz do que os concertos do Grande Auditório, que são o lado mais mediático do festival”.

Apesar disso, Ivo Martins aponta que o Guimarães Jazz precisa de “ser permanentemente transformado. Caso contrário, começa a ser cópia e réplica do anterior”. Nesse sentido – e já a pensar no futuro – o diretor artístico considera que é essencial estar constantemente à procura de “boa música”, porque “o festival vive disso”. “Há muita coisa a fazer, a melhorar e a aperfeiçoar a vários níveis. Um programador é um descobridor de desejos alheios. Tentamos perceber o que o outro quer ou deseja. É interessante haver dinâmica, mudanças e até cortes radicais. Não estarmos vinculados a um estilo, a um género ou a uma fórmula. Estamos abertos a tudo… vivemos sempre o presente. Para o próximo ano podemos fazer algo completamente diferente”, admite.

O canadiano Andrew Rathbun foi o protagonista do último concerto da 28ª edição e concorda com Ivo Martins: o Guimarães Jazz não está preso a estilos e mantém a qualidade, ano após ano. “É um festival maravilhoso que, em termos da programação, não está vinculado a um só estilo e não apresenta apenas nomes vanguardistas ou apenas artistas conservadores. É o meio-termo”, explica. “Sinto-me abençoado por fechar este festival. Regressar seria um sonho tornado realidade”, finaliza.

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