A poética do corpo em movimento: Nuisis ZoBoP com estreia absoluta no GUIdance
A relação entre a companhia de dança contemporânea Nuisis ZoBoP e o Festival GUIdance volta a reforçar-se em 2025, com a estreia absoluta de "Quando Vem a Taciturna De Limiar Em Limiar O Presente Frágil", marcada para o próximo 14 de fevereiro, às 18h30, no Pequeno Auditório do Centro Cultural Vila Flor (CCVF), em Guimarães. O GUIdance decorre de 06 a 15 de fevereiro.

© João Octávio Peixoto
Com sede no Porto, a Nuisis ZoBoP regressa ao GUIdance pela quarta vez, consolidando uma ligação construída ao longo do tempo com um dos mais relevantes festivais de dança contemporânea em Portugal. Esta nova criação “inscreve-se no espírito do festival vimaranense”, frequentemente associado ao lema “A sincronização da diversidade”, tanto pela sua dimensão estética como pelo pensamento crítico que convoca, adianta a organização do Festival de Dança Contemporânea de Guimarães.
Criada e interpretada por um elenco internacional de quatro bailarinas, a peça explora zonas de transição e indefinição, entre vigília e sono, vida e morte, inspiração e expiração, propondo uma poética do corpo enquanto território simbólico e expressivo. A obra parte de um amplo conjunto de referências literárias e míticas, que inclui as Mahavidyas, divindades associadas a uma sabedoria feroz e paradoxal, bem como autores como Fernando Pessoa, Camilo Pessanha, Al Berto e Paul Celan, que estruturam uma narrativa marcada por densidade poética e forte carga simbólica.
Para os diretores artísticos e coreógrafos Hugo Calhim Cristóvão e Joana von Mayer, a apresentação no GUIdance “representa uma oportunidade singular de dar a conhecer este novo trabalho a um público atento e exigente, aproximando a comunidade local da pesquisa artística desenvolvida ao longo de residências nacionais e internacionais”.
“Quando Vem a Taciturna De Limiar Em Limiar O Presente Frágil” resulta de um processo de residência artística, desenvolvido em vários espaços do país, entre os quais a Casa Varela (Pombal), Teatro Viriato (Viseu), Teatro Stephens (Marinha Grande), Fábrica ASA do CCVF (Guimarães), Armazém 22 – KALE (Vila Nova de Gaia), Teatro Aveirense (Aveiro) e o Espaço Agra, no Porto.
Após a estreia em Guimarães, o espetáculo entra em itinerância nacional e internacional, com apresentações já agendadas em Aveiro, Pombal, Marinha Grande, Castelo Branco, Vila Nova de Famalicão, Coimbra, Porto (no âmbito do Festival DDD – Dias da Dança) e Corunha, na Galiza.
Para além da sua dimensão estética, a obra propõe uma reflexão crítica sobre o presente, questionando a complacência institucional, a autorreferencialidade no ecossistema artístico e a fragilidade ética dos sistemas culturais. Esta abordagem é aprofundada no projeto paralelo Dança e Filosofia: Ética, Raízes e Horizontes do Presente Frágil, que defende uma articulação rigorosa entre criação artística e pensamento filosófico.
A Nuisis ZoBoP estrutura a sua atividade em torno de quatro eixos fundamentais: investigação, formação, criação e circulação, complementados pela edição de publicações que funcionam como arquivo e memória dos processos artísticos. Com o apoio da República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes, a companhia afirma-se como uma das presenças mais consistentes e singulares da dança contemporânea em Portugal.





