A PSICOTERAPIA E O LUTO

por  José Jorge Monteiro

Psicólogo – Adultos e Séniors

“O tempo não é, senão a possibilidade de evoluirmos”

A psicoterapia é um meio para a mudança e para o restabelecimento emocional. Não podemos descurar a ajuda de profissionais quando deixamos de ser capazes de gerir emocionalmente o que nos preocupa, nos bloqueia, nos retira o bem-estar necessário para uma vida saudável. Recorrer a técnicos especializados pode ser o caminho mais rápido para a recuperação e evitar as recaídas.

A forma como nos colocamos perante uma situação desagradável poderá aumentar ou diminuir o foco de tensão, assim como a dor ou sofrimento. Desta forma, quando estamos associados a uma dada situação, estamos no aqui e no agora, absorvidos no presente, damos muita importância a sensações vividas. Assim, tendemos a aumentar o grau de agonia, de sofrimento, pois estamos a viver a situação na primeira pessoa.

O processo de luto (perda) poderá significar a morte de um familiar, amigo ou pessoa ao seu cuidado, mas, também, outro tipo de perdas, tais como: emprego, divórcio ou mudança de residência. Existe uma sensação de desmoronamento, agonia e tristeza profunda.

Na terapia do luto o objetivo é identificar e resolver os conflitos de separação que impedem a conclusão das tarefas de luto nas pessoas cujo luto está ausente, retardado, excessivo ou prolongado. A resolução desses conflitos exige a vivência de sentimentos e pensamentos que a pessoa evita. O terapeuta fornece o sistema de apoio social necessário para que o trabalho de luto tenha sucesso, e permite que a pessoa fique de luto, permissão ou meio favorável que não tinha no seu meio familiar e social anterior à terapia. Invariavelmente, tal permissão ou apoio implica uma adequada aliança terapêutica.

Desde o momento da perda até ao total restabelecimento emocional será necessário passar por várias etapas. Não poderemos passar para a etapa seguinte sem resolver completamente anterior:

1- Aceitar a realidade da perda: A primeira tarefa é aceitar que a pessoa não voltará. Se no seu íntimo não deixa a pessoa partir, pois assume nas suas vivências como se ela estivesse presente no dia-a-dia criará resistências à aceitação natural. Desprender-se da maioria dos objetos ou recordações e no discurso usar os verbos no passado “ ele/ela foi, esteve, gostava…” será um meio para a aceitação.

2- Elaborar a dor da perda: É necessário que a pessoa em luto passe e assuma a dor, não deve evitar ou suprimir a dor da perda. Não elaborar a dor é não sentir e prolongar no tempo o sentimento de agonia, sendo então fulcral uma terapia do luto.

3- Ajustar-se ao ambiente diário sem presença da pessoa: A perda significa um vazio criado, novos papéis a assumir, reajustar as tarefas do dia-a-dia de forma diferente, pois quem estava já não está. Torna-se importante adaptar as novas rotinas e encontrar motivação para os novos desafios/compromissos.

4- Reposicionar em termos emocionais a pessoa que faleceu e continuar a vida: Ninguém esquece as lembranças de alguém que teve grande significado na sua via. O importante não é esquecer mas sim recolocar a pessoa num “local emocional” adequado para que se possa estar disponível para as novas experiências/vivências e continuar a viver com motivação e interesse.

As pessoas que terminam uma terapia de luto relatam de forma subjetiva que que estão diferentes. Referem, frequentemente, um aumento da autoestima e menos culpa. Torna-se possível falar da pessoa falecida ou da perda, assim como, tendem a posicionar as lembranças nos sentimentos positivos e experiências positivas vividas.

A mudança de comportamento torna-se visível. A procura de novos ambientes sociais, novas atividades, tal como, o regresso a atividades ou situações que tinham sido suspensas. É muito comum, voltar para atividades religiosas, visitar um túmulo, um quarto ou local sem que haja sofrimento latente. Poder-se-á desfazer de pertenças sem pensar que isso possa desonrar a memória da pessoa que partiu.

Há também sinais e sintomas físicos após a terapia. Menos dores no corpo, remissão de situações de ansiedade ou episódios de pânico e, esbatimentos dos sintomas que existiam no início do processo.

A terapia do luto pode ser muito eficaz. As experiências subjetivas e mudanças de comportamento observáveis dão crédito ao valor da intervenção terapêutica

 

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