À “SURDINA”, NASCEU UM FILME ENTRE SÃO CRISTÓVÃO E O CENTRO DA CIDADE

Totalmente rodado em Guimarães e com estreia prevista para abril de 2020, “Surdina” é a nova longa-metragem realizada por Rodrigo Areias e escrita por Valter Hugo Mãe, ambos de origem vimaranense.

Filme teve estreia mundial em outubro ©Direitos Reservados

O filme foi escrito há cerca de 10 anos por Valter Hugo Mãe e Rodrigo Areias admite que precisou de “algum tempo de maturação” para realizar “Surdina”. O realizador vimaranense explica que todos os seus filmes são “completamente diferentes dos anteriores”. “Enquanto realizador, é interessante não cristalizar numa forma de fazer filmes, mas sim experimentando sempre coisas diferentes”, justifica. Apesar disso, Surdina, por ser “baseado no texto de outra pessoa, baseado em diálogos escritos por outra pessoa, é diferente” de todos os anteriores filmes de Rodrigo Areias, porque são filmes “pensados antes de tudo na plástica e visual, antes de serem narrativos”, aponta. “É um filme mais popular e mais passível de as pessoas se identificarem”, acrescenta.

“Surdina” é, segundo o realizador, uma tragicomédia, inteiramente rodada em Guimarães, assumindo que é em Guimarães. “É, de certa forma, uma história de amor”, explica, no qual os personagens têm cerca de 60 anos. “Tem a ver com a vida nestes meios pequenos, a vida com os vizinhos, com a relação que tem muito do excesso de proximidade. De alguma forma, explora como é que vivemos todos em comunidades pequenas, em que não vivemos no anonimato, em que a nossa vida é uma coisa mais ou menos pública e mais ou menos privada”, resume. A designação Surdina foi uma proposta do Valter “que tem precisamente que ver com o que se diz entre dentes, o que se diz em voz alta e o que se diz em voz baixa entre as pessoas”, desvenda Rodrigo Areias.

Toda a família de Valter Hugo Mãe é de Guimarães, especificamente de São Cristóvão de Selho, apesar de o escritor ter nascido em Angola. Nesse sentido, o filme explora precisamente o universo entre o centro da cidade e São Cristóvão de Selho. “Quando decidimos fazer um projeto juntos o Valter esteve cá [em Guimarães] comigo, a dar umas voltas no centro histórico e a visitar casas de uma série de pessoas com as quais tenho relação. Fui também com ele a São Cristóvão e conhecer aquilo que é a sua origem familiar. Na junção destes dois ambientes, ele decidiu escrever um filme”, conta.

O filme teve estreia mundial em outubro, na 43.ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Brasil, e, de acordo com Rodrigo Areias, “correu muito bem”. “A reação foi muito emotiva, porque o filme também se presta a isso”, aponta. “Por outro lado, o Valter é uma vedeta literária lá, por isso contámos com salas sempre cheias”, recorda. Entretanto, o filme também foi exibido em Itália e Índia. Para Portugal, a estreia está prevista par 16 de abril de 2020.

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