AVANÇAR É PRECISO

Por Torcato Ribeiro.

“O PS tinha, se quisesse, condições para formar governo”. Esta frase foi proferida por Jerónimo de Sousa, secretário geral do Partido Comunista Português em plena noite eleitoral realizada em 4 de Outubro de 2015. Após a divulgação mediática das projecções eleitorais onde a coligação de direita obtinha a maioria simples mas ainda poderia conquistar a maioria absoluta, seguiu-se um autêntico festim de comentários e análises políticas protagonizado por especialistas em variadíssimas matérias, em quantidade suficiente para, aos menos atentos, enganar a falta de diversidade informativa. As imagens transmitidas das sedes partidárias mostravam o ambiente de vitória na coligação PSD/CDS e consternação na sede do PS, contrastando com a euforia verificada no BE que, presumo eu, comemoravam o facto de obterem uma votação acima da do PCP! Nesta noite cada um comemorou à sua maneira mas, exceptuando o PCP, nenhum teve o distanciamento suficiente para fazer a leitura objectiva da nova composição politico partidária do novo parlamento eleito. Nos dias seguintes este ambiente não se alterou e a solução governativa que nos apontavam diariamente, era mais do mesmo, demonstrando que a embriaguez provocada pelos números da primeira projecção ainda estava alapada no cérebro daqueles a quem atribuem a função de nos explicar o que outros dizem, porque, penso eu, nós, simples cidadãos, sem estes interpretes seríamos incapazes de entender. Ultrapassados os obstáculos e concluindo alguns que a tradição que nos tentaram vender de que estas eleições são para eleger o Primeiro Ministro não correspondia à realidade constitucional, foi empossado um governo minoritário do Partido Socialista com o apoio do BE, PCP e PEV.

Esta solução governativa inédita sugerida pelo PCP, teve como principal objectivo travar todo o processo de destruição de conquistas fundamentais do povo português e dos trabalhadores levado a cabo pela coligação de direita PSD/CDS, nas áreas da saúde, do ensino da habitação, da cultura e do emprego. Contrariando muitas almas da nossa praça, esta composição de suporte parlamentar a um governo minoritário conseguiu que fosse cumprido o seu mandato até ao fim.

No entanto, e para provar que há algum exagero na classificação ideológica quanto à actuação do governo, em matérias onde o acordo não era possível à esquerda, o PS contou com o apoio da direita, como por exemplo na alteração ao Código do Trabalho, demonstrando que tendo as mãos livres o PS fará as políticas que sempre fez quando não esteve condicionado pelas actuais circunstâncias.

Estes últimos anos foram clarificadores quanto ao desempenho da CDU na resolução dos problemas, na ultrapassagem de constrangimentos e imposições externas, na valorização dos salários e na justiça social.

Num contexto adverso e mistificado, com a projecção de figurões com discurso anti partidos e populismos, com a promoção mediática de uns e o inadmissível silenciamento de outros, não é por demais lembrar que não são todos iguais, que há quem pense e aja de forma diferente, que tenha princípios e honre os seus compromissos.

Em Outubro é preciso reforçar a representatividade de quem teve a ousadia e a visão de lutar por um Portugal livre, soberano e com futuro.

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