CCDR NORTE quer acelerar projetos comuns entre a Galiza e o Norte de Portugal

O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR NORTE), Álvaro Santos, defendeu esta sexta-feira o reforço da cooperação estratégica entre a Galiza e o Norte de Portugal, considerando que a Eurorregião reúne condições para se afirmar como um dos principais polos europeus de competitividade, inovação e crescimento sustentável.

© CCDR_N

A posição foi apresentada no Fórum Empresarial promovido pela Confederación de Empresarios de Galicia (CEG), em Baiona, encontro que reuniu representantes institucionais e empresariais dos dois lados da fronteira.

Na intervenção de abertura, Álvaro Santos destacou a dimensão económica e demográfica da Eurorregião Galiza–Norte de Portugal, composta por 6,4 milhões de habitantes, um Produto Interno Bruto superior a 167 mil milhões de euros, mais de 657 mil empresas e quase três milhões de postos de trabalho, indicadores que, segundo o responsável, colocam este território ao nível de vários Estados-membros da União Europeia.

“O Norte de Portugal e a Galiza constituem hoje uma verdadeira plataforma de desenvolvimento europeu. A proximidade geográfica, a história comum e a forte integração económica criam condições excecionais para construirmos uma estratégia conjunta de competitividade à escala europeia”, afirmou.

Álvaro Santos sublinhou ainda o papel da Região Norte como principal motor demográfico e empresarial da Eurorregião, concentrando mais de metade da população, cerca de 60% do emprego e mais do dobro das empresas existentes neste espaço transfronteiriço.

O presidente da CCDR NORTE destacou também a complementaridade entre os dois territórios, defendendo que a forte base industrial e exportadora do Norte de Portugal se alia aos ativos da Galiza nas áreas marítima, logística, energética e tecnológica, criando oportunidades para desenvolver cadeias de valor conjuntas e reforçar a competitividade internacional das empresas.

A inovação e o conhecimento foram igualmente apontados como fatores estratégicos para o futuro da cooperação. A Eurorregião conta atualmente com mais de 57 mil investigadores e uma relevante capacidade científica e tecnológica, que Álvaro Santos considera dever ser potenciadas através de projetos conjuntos entre universidades, centros tecnológicos, laboratórios colaborativos e empresas.

Durante a intervenção, o responsável recordou ainda que Espanha continua a ser o principal mercado externo da Região Norte, absorvendo cerca de 26% das exportações regionais, destacando também o crescimento do turismo transfronteiriço como sinal do reforço da integração económica e social entre os dois territórios.

Entre as prioridades identificadas para a próxima década estão a conclusão da ligação ferroviária de alta velocidade Porto–Vigo, o reforço da logística atlântica e das ligações ferroviárias de mercadorias, o desenvolvimento de cadeias de valor industriais transfronteiriças, a promoção de projetos conjuntos de inovação no âmbito da estratégia RIS3 Transfronteiriça e a construção de uma posição comum junto das instituições europeias, tendo em vista a futura Política de Coesão pós-2027 e a afirmação da Macrorregião Atlântica.

No encerramento da sua intervenção, Álvaro Santos defendeu que o desafio passa por transformar a proximidade geográfica numa integração económica mais profunda.

“Mais do que duas regiões vizinhas, a Galiza e o Norte de Portugal podem afirmar-se como um dos mais relevantes polos europeus de competitividade e inovação. O desafio passa agora por transformar essa proximidade numa integração económica cada vez mais profunda e estratégica”, concluiu.

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