Celebrar a história, investir no futuro

A realização do Conselho de Ministros, esta sexta-feira, no Paço dos Duques de Bragança, confere a Guimarães um papel de destaque na agenda política nacional.

© Eliseu Sampaio

A cidade-berço volta a assumir protagonismo e tudo indica que a reunião marcará também o arranque dos trabalhos para as comemorações dos 900 anos da Batalha de São Mamede, travada em 1128. As celebrações culminarão em 2028, tendo Guimarães como palco principal, mas com a ambição de envolver todo o país na evocação daquele que é considerado um dos momentos fundadores de Portugal.

O simbolismo é inegável. Contudo, os vimaranenses esperam que esta visita do Governo seja muito mais do que um gesto institucional. Esperam decisões e investimentos que correspondam ao potencial de uma região que se destaca pela indústria, inovação, cultura, ensino superior e capacidade exportadora, mas que continua a enfrentar problemas estruturais.

Melhores acessibilidades, reforço da ferrovia, investimento na saúde, na habitação e em infraestruturas estratégicas são algumas das necessidades há muito identificadas. O Vale do Ave tem demonstrado capacidade para criar riqueza e emprego; falta, muitas vezes, que o Estado acompanhe esse dinamismo com políticas e investimentos à altura.

Este Conselho de Ministros representa, por isso, uma oportunidade para transformar reconhecimento em compromisso. Guimarães não precisa apenas de ser lembrada pelo seu passado glorioso. Precisa de condições para continuar a crescer e a contribuir para o desenvolvimento do país.

Seria profundamente simbólico que o lançamento das comemorações dos 900 anos da Batalha de São Mamede fosse acompanhado por medidas concretas para o futuro da cidade e da região. Porque a melhor forma de honrar a história não é apenas celebrá-la, mas garantir que o espírito de iniciativa, visão e construção que esteve na origem de Portugal continua vivo no presente.

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