Celeste Actual chega ao fim: credores aprovam liquidação total

A Assembleia de credores da Celeste Actual, realizada esta tarde no Tribunal de Comércio de Guimarães, aprovou por unanimidade a proposta de liquidação do património da empresa, confirmando o desfecho de um processo que vinha sendo antecipado pelos trabalhadores e pelo sindicato do setor.

© Grupo Celeste

De acordo com informações avançadas pelo Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB), foi também formalizado o fim da atividade da empresa. Uma decisão que, sublinha a estrutura sindical, tem sobretudo caráter administrativo, uma vez que, na prática, a produção já se encontrava parada há várias semanas.

A proposta apresentada pelo administrador de insolvência prevê a utilização da massa insolvente existente, bem como daquela que se espera vir a ser obtida com a venda de ativos, para o pagamento das dívidas. Entre os bens a alienar estão as duas fábricas localizadas em Guimarães e Vizela, além de imóveis associados às lojas do grupo.

Segundo o SINTAB, entre os créditos a satisfazer destacam-se os salários e subsídios em atraso aos trabalhadores, bem como dívidas à Segurança Social e à Autoridade Tributária. Recorde-se que a situação do Grupo Celeste deixou cerca de 300 trabalhadores sem rendimentos, após meses de atrasos salariais e paralisação da atividade.

O administrador de insolvência aponta para um prazo previsível de cerca de 70 dias para o avanço do processo de liquidação. Neste período, será determinante concretizar a venda das unidades industriais, uma solução que o sindicato considera essencial não apenas para maximizar o valor dos ativos, mas também para salvaguardar o emprego.

“A venda das fábricas como unidades autónomas e funcionais de produção pode permitir que, dentro do mesmo setor, haja espaço para voltar a contratar os trabalhadores”, refere o SINTAB, destacando que estes profissionais possuem experiência e qualificação específicas que poderão ser decisivas para uma eventual retoma da atividade sob nova gestão.

Apesar da aprovação da liquidação, o sindicato sublinha que o futuro dos trabalhadores continua envolto em incerteza. Muitos enfrentam dificuldades financeiras graves, após vários meses sem salários, e receiam não conseguir recuperar a totalidade dos valores em dívida, dependendo do montante final apurado com a venda dos bens.

O processo agora iniciado marca uma nova fase na crise do Grupo Celeste, com o foco a deslocar-se da tentativa de viabilização para a recuperação possível dos créditos e para a eventual reativação das unidades produtivas através de novos investidores.

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