CHEGOU A VINTENA MMXX — E, COM ELA, PEVIDÉM PROCLAMOU-SE “CAPITAL NACIONAL DO TEATRO”

Mostra Internacional do Teatro de Pevidém estende-se pelo ano fora e traz companhias nacionais e internacionais à vila vimaranense. “O Mais Longo Verão”, da Teatro Vitrine, foi a primeira de muitas peças da Vintena MMXX.

Público de Pevidém aderiu à abertura da Vintena MMXX. ©Mais Guimarães

“A partir de hoje, Pevidém é capital nacional do teatro.” A Sol no Miral (também conhecida por Teatro Coelima, que ainda existe) não fez por menos: arrancou com a Vintena MMXX de olhos postos na afirmação do teatro amador a nível internacional e não escondeu a ambição. A declaração é de Rui Fernandes, diretor da associação, mas reflete o trabalho empreendido para que a Mostra Internacional de Teatro de Pevidém se realizasse. Visivelmente emocionado por ver um projeto desta dimensão materializar-se, Rui Fernandes fechou o painel de discursos que antecipou a apresentação da primeira peça de teatro da Vintena MMXX. “O Mais Longo Verão”, da Teatro Vitrine (Fafe), tocou em diversas emoções de uma plateia bem composta — todos se riram, alguns terão ficado emocionados a determinada altura, muitos identificaram-se com a história da vaga de emigração lusa por meados do século XX. “O teu sogro também foi assim, não foi?”, comentava uma habitante de Pevidém com uma outra, num dos intervalos entre os atos da peça fafense, inspirada numa história real.

E isso é levar a cultura às pessoas, sim, mas também adaptá-la. A opinião do presidente da Junta de Freguesia de Pevidém, Angelino Salazar, reconheceu, ao Mais Guimarães, o valor ao Teatro Coelima nesse sentido: “Têm sabido adaptar-se para o público massificado, mas também têm cultivado novos públicos.” E o autarca garantiu que os habitantes daquela vila, já habituados a estas andanças, “consomem cultura”. Por isso, não ficou surpreendido com a boa adesão à abertura da Vintena MMXX: “As pessoas de Pevidém consomem teatro. Naturalmente, aparecem.” Ao longo do seu discurso na sessão de abertura, o presidente da junta reforçou o papel “muito importante do Teatro Coelima na comunidade”, que extravasa a dimensão cultural. “A cultura também é herança social”, sublinhou. E Angelino Salazar admitiu a “dívida” de Pevidém para com o grupo: “Não temos capacidade para vos pagar o que fizeram por esta comunidade.”

Num dia em que o 20 era o número e o teatro a causa, o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Domingos Bragança, iniciou a sua intervenção, precisamente, com a importância e simbologia das décadas de 20, apontando a “carga fortíssima” que estas têm enquanto indicadoras “do que pode acontecer” ao longo de um século. Começando pela abertura de uma mostra internacional de teatro, parece um bom arranque, e Domingos Bragança realçou a importância das expressões artísticas. “Aprendemos melhor a interpretar a inquietação, o bem-estar, o desconforto, o sossego e o desassossego”, disse, acrescentando que “a cultura é fundamental” para se perceber “as causas essenciais para mudar o mundo”. E, num território com “tradição cultural inegável”, como o descreveu António Ponte Diretor, Regional de Cultura Norte, é importante reconhecer que “a cultura e o património sustentam as comunidades”.  

Nesse sentido, a vereadora da Cultura, Adelina Paula Pinto, referiu que apostas como esta refletem uma política “de complementaridade” entre o centro da cidade e o resto do concelho, já que o município, garantiu, “não quer uma cultura exclusivamente urbana”. Até porque, fez notar a vereadora, “Pevidém é um território com uma dinâmica cultural peculiar” — e isso, ao longo das décadas, propulsa muito para lá da quantidade de eventos culturais. “Temos também a questão da mobilidade social. Há pessoas ligadas à música, por exemplo, que, se não fosse pelo Teatro Coelima, trabalhariam numa fábrica”, concluiu.

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