Como um burro no meio da ponte!

Por Eliseu Sampaio,
Diretor do grupo Mais Guimarães

A expressão não é bonita, mas provavelmente é a que melhor nos define no momento que vivemos, neste tempo de muitas dúvidas.

Na passada segunda-feira, 05 de abril, entramos na segunda fase do desconfinamento. Com a transmissibilidade ligeiramente abaixo de um, com dias em que o número de mortos associados à covid-19, no país, andou em quatro ou cinco, e os infetados se contavam em poucas centenas, fomos convidados a voltar às esplanadas, às lojas, e a subir mais um degrau rumo à desejada normalidade. E voltamos, em força, tal era a ansiedade que vivíamos na espera deste dia. As esplanadas do centro histórico e pelo concelho encheram-se de vida, e de alguma alegria, que tanta falta nos fazia. O que aconteceu em Guimarães, e pelo país, resultará inevitavelmente num aumento de infetados. No entanto, acredito que, perante o número de vacinados, os maiores cuidados de grande parte da população, e a capacidade dos serviços de saúde, não voltaremos a sentir a pressão que vivemos nas primeiras semanas do ano.

Mas, assim de repente, surgiu-me uma dúvida. Já não há a obrigatoriedade de permanência no domicílio? Então fui espreitar o decreto 6/2021 de 03 de abril, que regulamenta o estado de emergência em que nos encontramos e, para meu espanto, encontrei o seguinte no ponto um do seu artigo quarto: “Dever geral de recolhimento domiciliário – Os cidadãos não podem circular em espaços e vias públicas, bem como em espaços e vias privadas equiparadas a vias públicas, e devem permanecer no respetivo domicílio, exceto para deslocações autorizadas pelo presente decreto”. Oh diabo! Esta gente está toda a trabalhar na rua, em assistência ou em passeios higiénicos, embora algumas de salto alto?

Bem, estão a imaginar o nó que me deu ler isto depois de assistir ao desconfinamento em massa que ocorreu esta semana.

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