CONTEXTILE 2026 traz Ai Weiwei a Guimarães

A oitava edição da CONTEXTILE, Bienal de Arte Têxtil Contemporânea decorre em Guimarães entre 5 de setembro e 29 de novembro de 2026, sob o tema “Por um Fio / By a Thread”. Com Ai Weiwei como artista convidado e um recorde de participação internacional.

©Rodrigo Marques / Mais Guimarães

O tema parte da ideia de fragilidade do mundo contemporâneo. “O planeta e o mundo estão por um fiO, a nível climático, social, económico, político e mesmo ao nível do património cultural”,afirma Joaquim Pinheiro, presidente da Ideias Emergentes. A diretora artística Cláudia Melo acrescenta que a bienal pretende funcionar como “linguagem crítica de alerta e de sensibilização para uma produção mais sustentável”, com a sustentabilidade como premissa transversal a toda a programação, partilhada com as indústrias e parceiros da região.

O artista chinês Ai Weiwei apresentará obras inéditas em três locais da cidade no Centro Internacional das Artes José de Guimarães, a Praça da Plataforma das Artes e Criatividade, e os Tanques de Couros,Fraterna, espaço onde foi apresentada esta tarde a programação. “A sua célebre frase ‘Everything is art, everything is politics’ tornou a escolha muito natural para trabalhar o tema da bienal”, explicou Cláudia Melo.

O projeto de Ai Weiwei tem uma ligação direta à indústria têxtil da região, construída ao longo de mais de um ano. A partir de vestuário militar recolhido e destruído na iniciativa Valórios 360, foi produzido fio reciclado que a empresa têxtil Lameirinho está a transformar num tecido com desenho do próprio artista. “Existe toda uma sequência que aponta para um projeto expositivo com uma parceria muito forte com a indústria têxtil da região”, sublinhou Susana Milão, presidente da Ideias Emergentes. As intervenções de arte pública abordarão temas como “a vigilância, a proteção do património e a fragilidade do próprio espaço e da comunidade.”

A Exposição Internacional, sediada no Palácio Vila Flor CCVF, reúne 54 obras de 51 artistas de 27 países, selecionadas de entre 2.036 obras submetidas por 1.604 artistas de 81 países, um novo recorde de participação. Os prémios serão entregues na cerimónia de abertura, a 5 de setembro.

Em parceria com Guimarães Capital Verde Europeia 2026, o programa “Weaving the Green / Tecer o Verde” prevê intervenções no espaço público em vários pontos da cidade , Mercado Municipal, Praça do Conde de Arnoso, Largo do Convento de Santo António dos Capuchos e Museu Alberto Sampaio , a par de residências artísticas no Arquivo Municipal e nos Claustros do Convento de Santo António dos Capuchos. Dez artistas de várias partes do mundo residirão na cidade, através de parcerias com a Bienal Internacional de Minas de Ouro e o Magic Heart Paris. “Quase todas as intervenções partem da vontade de partilha e de co-construção com a comunidade da região”, afirmou Cláudia Melo.

A exposição “A Change in the Weather? Material Storytelling in an Age of Uncertainty”, com curadoria da investigadora britânica Janis Jefferies, reúne cinco artistas de diferentes países, Teresa Lanceta (Espanha), Jakkai Siributr (Tailândia), Simon Callery (Inglaterra) e Movana Chen (Hong Kong). Esta exposição estará distribuída pelo Palacete Santiago, a Sociedade Martins Sarmento e a Galeria Garagem Avenida.

O programa inclui ainda o projeto “Growing House”, uma instalação do Fiber Media Lab com curadoria de Assadour Markarov e artistas da Academia de Arte de Hangzhou, China, patente no espaço Curtir Ciência. Os Textile Talks, nos dias 6 e 7 de setembro no Pequeno Auditório do CCVF, organizam-se em torno de quatro temas  desde as Narrativas do Poder, Changing the Weather, Dinâmicas e Mudanças, e Desperdício Têxtil como Arte, com 18 apresentações selecionadas de entre 75 candidaturas internacionais.

O projeto Emergências, que envolve escolas de ensino artístico na produção de obras em torno do tema da bienal, conta esta edição com a Faculdade de Belas Artes de Lisboa, a Faculdade de Belas Artes do Porto, a Escola Artística António Arroios, a Universidade da Beira Interior, o Instituto Politécnico do Cávado e Ave e a Universidade do Minho. Os trabalhos serão expostos no Instituto de Design de Guimarães.

A vereadora da Cultura de Guimarães, Isabel Ferreira, destacou a coincidência simbólica entre as duas primeiras edições da bienal e os momentos de distinção da cidade. “A primeira edição aconteceu quando Guimarães era Capital Europeia da Cultura e esta oitava edição acontece quando celebramos todo o trabalho desenvolvido na área ambiental e da sustentabilidade”, afirmou. Isabel Ferreira referiu ainda que a CONTEXTILE 2026 servirá de preparação para 2028, quando a cidade assinala os 15 anos da Capital Europeia da Cultura. “Usamos todas as manifestações artísticas para provocar a reflexão e a preparação das políticas de cidade”, concluiu.

 

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