CRO de Guimarães duplica capacidade e reforça combate ao abandono animal

O Centro de Recolha Oficial de Animais de Companhia (CRO) de Guimarães, em Aldão, foi inaugurado este sábado, 26 de setembro, depois de uma intervenção de ampliação e requalificação que representou um investimento municipal superior a 1,3 milhões de euros. A obra acrescentou mais de mil metros quadrados de área coberta e duplicou a capacidade instalada do equipamento.

@ CRO de Guimarães

O espaço passa a poder acolher até 124 cães em área coberta, complementada por cinco parques exteriores. Foram também criadas novas enfermarias para cães e gatos, espaços de recobro, áreas destinadas a felídeos e melhores condições de ventilação, temperatura e acústica. O equipamento dispõe ainda de uma área de socialização e adoção.

Na inauguração, o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, afirmou que a intervenção responde a problemas que se foram acumulando desde a construção do equipamento, perante a alteração da legislação, o aumento do número e do tempo de permanência dos animais e as novas exigências de bem-estar animal.

“Demasiados animais para o espaço disponível” e problemas relacionados com humidade, conforto térmico, ventilação e ruído eram, segundo o autarca, algumas das limitações existentes. Ricardo Araújo sublinhou também que a área veterinária já não respondia às necessidades de tratamento e recuperação dos animais.

O presidente da Câmara fez questão de reconhecer o trabalho desenvolvido pelo anterior executivo, que lançou o projeto de intervenção no CRO, então liderado por Domingos Bragança, referindo também a antiga vereadora Sofia Ferreira. Ricardo Araújo afirmou que decidiu dar continuidade a obras lançadas anteriormente por considerar que eram importantes para o concelho.

O autarca destacou ainda a necessidade de acompanhar o aumento da capacidade do CRO com medidas de prevenção. “Nenhum edifício, por maior que seja, resolverá sozinho o abandono e a reprodução descontrolada de animais de companhia”, afirmou.

Nesse âmbito, apontou a esterilização como uma das prioridades do Município, referindo o regulamento municipal de apoio à esterilização de animais de companhia e o programa de captura, esterilização e devolução de animais das colónias felinas.

@ CRO de Guimarães

Ricardo Araújo anunciou também o reforço da equipa do CRO, com procedimentos em curso para a contratação de mais tratadores, um médico veterinário e um enfermeiro veterinário.

“Um centro de recolha nunca substitui um lar”

Guida Brito, responsável veterinária do CRO de Guimarães, destacou as novas condições de trabalho e de tratamento proporcionadas pela intervenção, nomeadamente através da área veterinária reforçada e das novas zonas de recreio e espaços exteriores.

A responsável alertou, contudo, que a ampliação não resolve a origem do problema. “Por mais moderno e amplo que um centro de recolha seja, ele nunca substitui um lar”, afirmou.

Guida Brito defendeu uma maior responsabilização dos detentores de animais, apontando a identificação eletrónica, o controlo populacional, a esterilização e a fiscalização como áreas de intervenção. Sublinhou ainda a necessidade de reforçar a sensibilização para o cumprimento das obrigações legais e de combater situações de abandono e maus-tratos.

A responsável veterinária destacou igualmente a importância da adoção responsável. No CRO, os processos incluem triagem e aconselhamento, procurando adequar o perfil dos animais às condições e ao estilo de vida das famílias que pretendem adotá-los.

Para Guida Brito, o objetivo passa por reduzir progressivamente a pressão sobre o equipamento. “O verdadeiro sucesso desta obra não se medirá pelas boxes que ocupamos, mas sim por aquelas que conseguiremos manter vazias”, afirmou.

A intervenção no CRO surge assim associada a uma estratégia que combina o reforço da capacidade de acolhimento com medidas de prevenção do abandono, controlo populacional e promoção da adoção responsável.

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