DIVERSIFICAR PRECISA-SE

Por Rui Armindo Freitas

Há 1 ano, neste espaço de opinião, escrevi, alertando para a excessiva dependência da nossa economia de um só sector, Têxtil e Calçado. Afirmava então que, do meu ponto de vista, uma economia, será tanto mais forte, quanto mais diversificada estiver, permitindo que se torne mais resiliente em cenários de crise sectoriais. Ora, identificava também que a década que passou, tinha sido uma das melhores décadas da história da nossa indústria têxtil e do calçado, fruto do comprometimento da nossa classe industrial e comercial, que soube tirar partido de alterações que aconteceram na sua indústria e assim se tornaram num parceiro fundamental para grandes grupos internacionais, um deles bem identificado e parceiro de longa data na região do Vale do Ave. Afirmava também que a grande vantagem que estava a ser dada pela indústria têxtil e do calçado era o tempo, tempo que entendia ser a grande oportunidade para ajudar a, num contexto de crescimento, aproveitar para diversificar a nossa economia. Ora dos números que compõem as nossas exportações resulta que o peso da indústria têxtil e calçado é hoje 76% em Guimarães, de acordo com os dados de 2018, comparando com 26% em Famalicão e 10% em Braga, exportando Guimarães menos 500 milhões de euros que estes dois concelhos. Esta realidade mostra que apesar dos alertas realizados, nomeadamente na Assembleia Municipal, nos últimos anos muito pouco tem vindo a ser feito para que esta realidade se altere, afirmando hoje aquilo que afirmava há um ano atrás, uma crise irá acontecer, não sabemos é quando.

Por isso volto a alertar para a necessidade da captação de investimento externo, seja pela criação de um melhor clima de negócios, seja pelo contacto directo com parceiros que beneficiem de uma estrutura de serviços que servem actualmente apenas um sector e que também eles poderiam estar menos dependentes. Uma crise sectorial num concelho em que preponderância de sector atinge a dimensão que tem no nosso, redunda forçosamente numa crise multissectorial pela elevada dependência que todos têm do sector primordial. Assim, todos sabemos a dependência que existe da hotelaria e restauração, pelo turismo de negócios, a dependência da metalomecânica, de alguns sectores de construção civíl e de todos os serviços auxiliares à actividade empresarial dos sectores Têxtil e Calçado.

Por isso, enquanto é tempo, que se governe Guimarães mais para a realidade e menos para as parangonas. Que as políticas passem apenas da diplomacia económica local para a sua concreta efectivação em números, e que esta realidade se altere. Apesar de haver quem queira vaticinar, já hoje, um início de crise sectorial, quero acreditar que ainda estamos longe disso, reiterando a confiança naqueles que todos os dias nos estão a dar a melhor oportunidade das últimas décadas, os nossos industriais e comerciantes. No entanto, o que acontece é que qualquer oscilação neste sector tem um impacto imediato na nossa economia local tal é a nossa dependência. Contudo não devemos embarcar em lógicas alarmistas que possam ferir a credibilidade da nossa indústria.

Assim, hoje, como ontem, peço a atenção para a mesma realidade, diversificação sectorial, mas hoje ao contrário de ontem, menos tempo temos para a alterar.

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