DO BERÇO PARA O RESTO DO MUNDO DE AVIÃO, AUTOCARRO OU MOTA

Liliana e Nuno livraram-se do carro e da casa e fizeram-se à viagem com que sempre sonharam. Conheceram a Ásia e entraram em países de autocarro, tombaram de uma mota e aprenderam que o mais importante é “respeitar e adaptar-se à cultural local”. 

 

No Parque Nacional de Khao Sok, Tailândia. @Direitos Reservados

 

Os amigos e a família disseram-lhes: “Vocês são malucos!” E eles, de malas feitas, casa e carro vendidos e uma imensa vontade de conhecer o mundo, fizeram-se ao caminho. Liliana Freitas e Nuno Neto partiram, para uma viagem com a duração e um ano, a 18 de junho de 2018. Voltaram a Portugal a 26 de junho passado. Ele teve uma empresa do ramo cutileiro durante 15 anos; ela trabalhava na área do controlo de qualidade e produção. Aos 36 e 37 anos, respetivamente, como se larga uma vida estável para viajar? “Não é de um dia para o outro. Planeamos isto durante, mais ou menos, dois anos”, conta Liliana. “Chegou uma altura em que pensamos: ‘É agora ou nunca.’” E foi. Em Portugal, aproveitam para descansar, “porque viajar acaba por cansar”, diz Nuno. Partilham, agora, as memórias na página do Facebook “Do Berço To The World”.

Mas o repouso por cá é temporário: voltarão a levantar voo este mês. Por enquanto, concentremo-nos nas viagens já realizadas. A lista contempla 17 países, aos quais se juntam as regiões autónomas de Hong Kong e Macau, e (quase) todos os destinos localizam-se no continente asiático. Malta e Grécia “para começar” e como meio para chegar à Ásia. Fazem parte da checklist margens tão distintas entre si como Myanmar, Laos, Vietname, Japão, Camboja ou esse segredo que é a Coreia do Norte. Garantem que a viagem “foi low cost” e feita com tempo. “Era importante para nós apreciar e conhecer a vida de cada sítio”, referem. Por isso, para além do avião, moveram-se entre países “em autocarros, comboios e até de barco” — referem, a título de exemplo, “a viagem por terra do Vietname para o Camboja”. Não raras vezes optaram por dormir nos bancos dos autocarros. Se isso cansa? “Sim.” “Mas o objetivo não era relaxar”, aponta Liliana.

Mui Ne, Vietname. @Direitos Reservados

E, por vezes, a viagem pregou-lhes umas partidas. “Mas nada de grave”, tranquilizam. Cada um teve “direito” a uma visita ao hospital e estavam “a bordo de um barco” quando se deu “um terramoto de magnitude 7,2” na Indonésia. E não esquecem da vez que caíram de uma mota: “Estavamos rir e tombamos”, brinca Liliana. Essa foi uma das 42 motas que alugaram — e, quando se encontraram com o Mais Guimarães para desfiar esta aventura, traziam, precisamente, um capacete.

Para eles, foi uma espécie “de curso intensivo de política internacional” — das questões ditatoriais da Coreia do Norte, “um lugar bastante limpo”, ao controlo digital a que os cidadãos da China são sujeitos, passando pela herança de resistência que ficou em Timor. E, claro, a prática de “turismo responsável”: “Em viagem, acho que devemos ajudar os locais”, reflete Nuno. “Dormir em estabelecimentos locais, fazer a alimentação em restaurantes locais.” E isso implica, para existir uma maior proximidade, “aprender algumas palavras da língua, como o ‘bom dia’”, indica Liliana.

Estátuas da dinastia Kim, Coreia do Norte. @Direitos Reservados

Respeitar e adaptar-se à cultura local — “não vais mudar a forma de pensar de uma população só porque não concordas com algo”, atira Nuno — são dois dos conselhos que deixam a quem lhes quiser seguir os passos. Para além disso, é importante “ir de mente aberta, ter em conta o orçamento e partir à boleia”. Se eles são malucos? Pelo menos estão a conhecer o mundo.

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