Dois solos entre a montanha e o voo: Tânia Carvalho estreia novas criações no GUIdance
“O Sono da Montanha” e “O Gesto do Falcão” são os dois novos solos da coreógrafa Tânia Carvalho, concebidos respetivamente para os intérpretes Marta Cerqueira e Bruno Senune, que vão estrear na edição de 2026 do GUIdance - Festival Internacional de Dança Contemporânea, no dia 12 de fevereiro, às 21h30, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães. O GUIdance arranca nesta quinta-feira, dia 05, e termina a 14 de fevereiro.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães
As duas criações partem do corpo como lugar de escuta, transformação e presença, explorando qualidades físicas e energias distintas associadas a cada intérprete. Em “O Sono da Montanha”, o movimento desenvolve-se a partir de uma ideia de densidade, permanência e acumulação, num trabalho corporal que remete para estados de suspensão, resistência e interioridade.
Já “O Gesto do Falcão” constrói-se a partir de uma fisicalidade mais aérea e incisiva, explorando impulsos, cortes e direções precisas. O movimento surge como resposta imediata ao espaço, alternando entre momentos de contenção e explosão, num jogo entre foco, vigilância e deslocamento. O solo destaca a relação entre gesto e intenção, colocando o corpo num estado de alerta permanente.
Criadas a partir de uma relação artística desenvolvida ao longo de vários anos entre a coreógrafa e os intérpretes, as duas peças resultam de um processo de trabalho assente na confiança e no conhecimento mútuo. Segundo Tânia Carvalho, o ponto de partida não foi uma ideia fechada ou narrativa definida, mas um processo intuitivo, centrado exclusivamente no movimento.
“Há um conhecimento para além das palavras. Eu normalmente não procuro exprimir ideias muito fixas. A minha forma de criar é muito intuitiva”, afirmou, após o ensaio de imprensa.
A coreógrafa explicou que o processo decorreu através de uma troca contínua de movimentos, por vezes em presença, outras à distância, sem discussão conceptual.
“Houve muita confiança. Foi só movimento, sem troca de ideias. Apenas uma viagem de movimentos”, referiu.
Os títulos das peças surgem da observação direta das qualidades físicas e expressivas dos intérpretes.“No caso da Marta, vejo uma relação com a montanha. No Bruno, o falcão. Foi a partir das qualidades deles”, explicou.
Também presente no ensaio de imprensa, Rui Torrinha, diretor artístico do GUIdance, destacou a importância de Tânia Carvalho no percurso do festival. “A Tânia é uma grande cúmplice do sucesso do GUIdance. É uma figura da dança europeia e tem vindo regularmente a Guimarães”, afirmou.
Rui Torrinha sublinhou ainda que a edição de 2026 poderá ser a mais participada de sempre, com várias sessões esgotadas, e destacou o papel do festival na criação contemporânea.
“Nos 15 anos do GUIdance, termos três estreias absolutas mostra que Guimarães assume um papel central no investimento na criação contemporânea”, referiu.
“O Gesto do Falcão” e “O Sono da Montanha” integram a programação do GUIdance 2026 e serão apresentados na quinta-feira, 12 de fevereiro, às 21h30, no Centro Cultural Vila Flor.





