Eleições presidenciais: A democracia não se cumpre com medo

Por Eliseu Sampaio.

Foi coisa difícil de encaixar, ouvir, na noite do passado domingo, por Eduardo Cabrita, o ministro da Administração Interna, que naquele dia se assistiu a uma verdadeira “festa da democracia”.

É um disparate de todo o tamanho dizer algo assim quando, milhares de portugueses tentaram apenas, através do voto antecipado, escapar ao aglomerado de pessoas que certamente encontraremos nas mesas de voto no próximo domingo, dia 24. Dizer que se viveu naquele dia uma “festa da democracia” é viver numa realidade paralela, é viver uma verdade na qual só acredita quem a diz.

Ainda mais quando, sabendo-se com antecedência o número exato de pessoas que decidiram exercer esse direito, não se foi capaz de evitar que muitos eleitores tivessem de esperar até duas horas, em filas gigantescas e em que o distanciamento era impossível de garantir, para votarem.

Pensando no que aconteceu no domingo, 17, e na forma como tudo foi preparado e depois se assobiou para o lado, só podemos temer o modo como decorrerá este ato eleitoral. Queremos, de facto, celebrar a democracia, mas saibam que ela não se cumpre com medo.

Estamos no pior momento da pandemia, em estado de emergência, superando os 200 mortos diários associados à Covid-19, e vamos chamar todos os portugueses a saírem de casa e a frequentarem os mesmos espaços. A coerência das medidas adotadas ao longo do tempo, no combate a esta pandemia, deixou a desejar. Damos o benefício do desconhecimento, da novidade que representou a chegada desta pandemia. Ninguém estava, de facto, preparado. No entanto, era expectável que, com o passar do tempo, com a experiência e os saberes adquiridos, começássemos a errar menos. Assim não é.

Estas eleições presidenciais deveriam ter sido adiadas pelo menos para a primavera. Porque não foram? Todos previram que os meses de inverno, sobretudo janeiro e fevereiro, seriam mais difíceis. Já o são habitualmente nos nossos hospitais mesmo sem pandemia, imaginemos agora!

Mesmo com medo, os portugueses que se preocupam com os destinos do seu país vão chegar-se à frente e votar. Marisa Matias, Marcelo Rebelo de Sousa, Tiago Mayan Gonçalves, André Ventura, Vitorino Silva, João Ferreira e Ana Gomes, assim surgirão nos boletins de voto, um deles, será eleito domingo o próximo Presidente da República de Portugal.

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