Entrevista | Alberto Martins: “Queremos que a melhoria das condições animais esteja na prioridade da ação do município”

O vereador da Câmara Municipal de Guimarães, Alberto Martins, falou ao Mais Guimarães sobre as mudanças em curso na política municipal para os animais, depois de terem surgido nas redes sociais críticas às condições do antigo canil e da inaguração do CRO. Reforço de recursos humanos no Centro de Recolha Oficial (CRO), campanha de adoção responsável, apoio à esterilização e o papel da associação SEPAGA foram alguns dos temas abordados.

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Ana Silva (AS) – Têm surgido nas redes sociais preocupações de que o antigo canil não tinha, alegadamente, condições nenhumas. Como é que a Câmara pode garantir que o novo canil vai realmente ter condições e que não haverá maltrato de animais?

Alberto Martins (AM) –  “Acho que nós não podemos afirmar que não existiam condições nenhumas. Existiam condições que não eram as ideais, naturalmente por falta de espaço sobretudo, mas também porque as populações dos animais, sobretudo de gatos também, tinham uma grande dificuldade em ser controladas. Efetivamente, com esta ampliação do CRO permitimos ter mais condições para acolher os animais, mas o objetivo principal é sempre conseguir que os animais que entram no CRO possam ser tratados, possam ser devidamente esterilizados e que possam ser devolvidos, sobretudo a famílias de acolhimento ou, no caso do gato, a colónias que estejam devidamente identificadas. Naturalmente que as intervenções no CRO, em todos os centros de recolha que possam existir pelo país, não se podem resumir às condições infraestruturais.

Não é por termos mais condições físicas que o tratamento e o cuidado acompanham essa melhoria de condições físicas. Precisamos, naturalmente, de reforçar recursos humanos e, portanto, estamos a finalizar para, entre o final do mês de outubro e já início do mês de novembro, reforçar o nosso CRO com mais uma ou um veterinário, um enfermeiro veterinário e mais dois tratadores. Isto é, vamos praticamente duplicar a capacidade em termos de recursos humanos dessa infraestrutura. Estamos agora também a preparar uma campanha de adoção responsável. Vamos fazer uma campanha grande no decorrer do mês de outubro para permitir que, de uma forma consciente e responsável, as pessoas possam levar para casa, adotar um animal de estimação.

Por fim, não podemos ter condições físicas e condições humanas se também não conseguirmos que, no exterior, sobretudo nas colónias, os animais possam ser controlados – e nós percebemos que elas estavam completamente descontroladas. Com a implementação da medida de apoio à esterilização e o cheque veterinário, estamos já a permitir que a população mais carenciada, que já recorria ao CRO retirando capacidade de intervenção direta às nossas equipas, possa proceder à esterilização numa clínica ou hospital veterinário, para que o nosso centro de recolha oficial também não seja demasiado pressionado. Paralelamente, o apoio à esterilização permite que as pessoas que não estejam dentro desse perímetro de carência económica possam, na mesma, proceder a esse procedimento com o apoio do município numa parte substancial da cirurgia.

Juntando melhores condições físicas, maior capacidade humana e apoios à esterilização, sem esquecer os programas de adoção, pensamos que teremos resultados significativamente melhores nos próximos meses e nos próximos anos.”

AS –  Pode então afirmar-se que existe, efetivamente, uma política de CED – captura, esterilizar, devolver – implementada no concelho de Guimarães, com um sem-número de limitações, mas sempre com o objetivo de garantir o bem-estar dos animais?

AM –  “Exatamente. Nós queremos que as instalações do CRO sejam, por assim dizer, um último reduto, um local não de despejo de animais, mas um local de tratamento dos animais. Obviamente sabemos que há animais que dificilmente poderão ser adotados e que não têm a possibilidade, pela sua idade ou pela sua condição física, de ser devolvidos — nomeadamente os cães, que têm uma realidade diferente da dos gatos. Mas queremos que o CRO seja, sobretudo, um local onde os animais possam ser recolhidos, possam ser tratados, possam viver, se assim tiver de ser, até aos últimos dias da sua vida. Queremos também que os animais, nomeadamente nas colónias, estejam todos devidamente identificados, que estejam, na sua maioria ou totalidade, devidamente esterilizados, possam ser capturados, tratados, esterilizados e devolvidos à colónia – porque, na verdade, sobretudo os gatos e os felídeos nasceram muito para viverem de forma independente, e é assim que também queremos que eles possam viver. Mas, se precisarem de estar a viver no CRO e a ser lá tratados, esse lugar também estará garantido.

A nossa prioridade é, efetivamente, controlar as populações que ainda não estão devidamente controladas, apoiar as cuidadoras que fazem um trabalho excecional nas colónias e permitir que esses animais regressem, sem estarem constantemente a criar ninhadas, porque isso descontrola não apenas o CRO e o funcionamento das instalações e dos seus profissionais, mas também as populações no exterior, criando problemas às pessoas e de controlo de doenças. É isso que queremos fazer, conscientes da dificuldade, mas cientes do caminho que traçámos e que queremos cumprir.”

AS – Existe também uma associação ligada ao CRO, a SPAG. Qual é o papel desta associação?

AM – “A SPAG tem um papel muito importante, não apenas de apoio ao CRO, mas de intervenção na própria comunidade. Muitos dos membros da SEPAGA são cuidadores de colónias, desde logo por aí têm um papel muito importante. São pessoas que intervêm diretamente em situações de risco, identificam casos ao CRO ou, elas próprias, muitas vezes, tratam animais, mas têm depois uma ligação muito próxima do centro de recolha oficial, permitindo-lhes, por exemplo, passear os animais, o que é muito importante também para a saúde física e mental dos mesmos.

Portanto, trabalham muito próximos dos nossos serviços do CRO e permitem esta intervenção pública na comunidade animal, mas também diretamente com os animais que residem no CRO. É um trabalho muito meritório, que o município tem em muita boa conta e que queremos não só manter, como aprofundar as relações que temos com essa instituição.”

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