ESTUDO INDICA QUE A PEGADA ECOLÓGICA DE GUIMARÃES EM 2013 ERA INFERIOR À MÉDIA DO PAÍS

A Pegada Ecológica no território de Guimarães, apresentado esta quinta-feira, 15 de março, no Laboratório da Paisagem, teve como base os dados recolhidos em 2013. Em geral, a Pegada Ecológica ajuda a perceber a quantidade de recursos naturais utilizados para suportar o estilo de vida das pessoas, onde se inclui a cidade e a casa, os móveis, as roupas, o transporte, a alimentação, os hábitos nas horas de lazer, os produtos adquiridos, entre outros.

O estudo apresentado por Sara Moreno Pires, da Universidade de Aveiro, conclui que a Pegada Ecológica média de um residente em Guimarães, tendo por base os dados recolhidos em 2013, era de 3.76 hectares globais (gha) per capita. Em média, cada residente de Guimarães precisou de 3.76 gha de área bioprodutiva para suportar o seu estilo de vida. Esta procura é 3% mais baixa do que a média de um cidadão português (com uma Pegada Ecológica média de 3.9 gha per capita), mas 2.5 vezes maior do que a média da biocapacidade de Portugal (aproximadamente 1.52gha). “A estes níveis de consumo, seriam necessários 2.2 planetas Terra para suportar esta pegada, se toda a população mundial tivesse em média o mesmo valor desta pegada”, apontou Sara Moreno Pires.

“O resultado calculado para Guimarães coloca a população vimaranense numa perspetiva média positiva em comparação com Portugal, mas com um papel muito desafiante em relação ao futuro pois o resultado da Pegada Ecológica mostra que a biocapcidade do país é 1.52gha”, salientou a investigadora da Universidade de Aveiro. “Podemos analisar este resultado por via das atividades de consumo e aí conseguimos perceber que, curiosamente, é através do consumo de produtos alimentares e bebidas não alcoólicas que reflete o principal impacto dos vimaranenses na Pegada Ecológica do território, seguida da sua mobilidade e consumo de transportes. De acordo com a trajetória nacional, este resultado demonstra que o peso de consumo de bens alimentares é muito grande na Pegada Ecológica”.

Sara Pires explicou que “este instrumento é muito importante na consciencialização da população na sua Pegada” destacando o confronto com a biocapacidade. “Enquanto a Pegada Ecológica mede a área de pressão sobre os recursos naturais que necessitamos, a biocapicidade dá-nos a área que efetivamente dispomos. Neste confronto, a nossa pressão é maior do que a área que temos disponível”. Assim, “a leitura crucial deste estudo visa uma mudança de políticas públicas e dos estilos de consumo”, constatou a investigadora.

Numa segunda fase deste projeto, envolvendo várias entidades, será possível introduzir calculadoras via online ao dispor dos municípios para cada pessoa perceber qual o seu peso na Pegada Ecológica e o que tem a fazer para reduzir”.

Em representação do Município de Guimarães, a vereadora do Ambiente, Sofia Ferreira, destacou “o caminho percorrido por Guimarães” na área da sustentabilidade ambiental, “mas com muito ainda por fazer”.  “Este é o momento que concretiza e expressa a vontade inequívoca de Guimarães em trabalhar na direção de uma cidade sustentável. Os vimaranenses estão decididos em concretizar as metas que foram preconizadas no objetivo da Capital Verde Europeia 2020, com um longo caminho a percorrer”, acrescentou a vereadora da Câmara Municipal. A par da estratégia, Sofia Ferreira mencionou ainda um dos exemplos colocados em prática, como a dinamização da Incubadora de Base Rural, “sendo um caso muito prático e concreto para o melhor aproveitamento do solo”, referiu.

Na sessão que decorreu em Guimarães, além da apresentação da Pegada Ecológica do Município, por Sara Moreno Pires, da Universidade de Aveiro, a sessão incluiu uma apresentação da ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, por Paulo Magalhães, coordenador do Projeto Pegadas Municípios Portugueses, a apresentação pela Global Footprint Network, por Laetitia Mailhes, e a comunicação ”Guimarães Mais Verde”, por Isabel Loureiro, Coordenadora Executiva da Candidatura a Capital Verde Europeia 2020.

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