Fim de ciclo no Vitória SC: Direção de António Miguel Cardoso apresenta a demissão

Na conferência de imprensa realizada no Estádio D. Afonso Henriques, António Miguel Cardoso, que liderava o clube desde março de 2022, decidiu antecipar a saída face ao cenário desportivo da equipa principal, que compromete seriamente o objetivo delineado no início da época.

© VSC

A decisão surge numa altura em que o Vitória ocupa o nono lugar da I Liga, com 36 pontos, a cinco jornadas do fim do campeonato. A equipa está a onze pontos do quinto classificado, o Famalicão, posição que garante acesso às competições europeias e que havia sido assumida como meta pela direção. Apesar de a matemática ainda permitir esse cenário, dentro do clube a convicção é de que o objetivo é praticamente inalcançável.

“De acordo com aquilo que prometi no início da época, e como já são reduzidas as hipóteses de o Vitória SC terminar o campeonato em quinto lugar, vou entregar ao presidente da Assembleia Geral a minha carta de demissão”, afirmou António Miguel Cardoso, cumprindo assim o compromisso assumido após o empate frente ao Arouca (1-1), na quarta jornada, ainda em agosto de 2025.

O mais recente empate, diante do Aves SAD, também por 1-1, acabou por reforçar a perceção interna de que a qualificação europeia está fora de alcance.

O dirigente revelou ainda que não será candidato nas próximas eleições do clube, que deverão realizar-se a 13 de junho. “Todas as etapas têm um princípio, um meio e um fim. Não serei candidato nas próximas eleições”, declarou, deixando claro que a sua ligação à liderança do clube termina com este mandato.

Apesar da saída anunciada, António Miguel Cardoso garantiu que a atual direção continuará em funções até à passagem de testemunho, assegurando uma gestão responsável. “Até lá, tudo faremos para dignificar o final da época, defender os interesses do Vitória SC e garantir o equilíbrio desportivo e financeiro”, afirmou.

No discurso de despedida, o ainda presidente fez um balanço positivo dos quatro anos e meio de mandato, destacando conquistas e crescimento estrutural do clube. Entre os principais feitos, sublinhou os três apuramentos consecutivos para competições europeias entre 2022 e 2024, o recorde de vitórias consecutivas de um clube português nas competições europeias, e a conquista da Taça da Liga, o terceiro título nacional da história do clube.

O dirigente destacou também o crescimento do número de associados, que ultrapassa agora os 30 mil, bem como o aumento na venda de lugares anuais. A formação foi outro dos pontos fortes assinalados, com vários jovens a chegarem às seleções nacionais e à equipa principal, num projeto que, segundo afirmou, deixa bases sólidas para o futuro.

António Miguel Cardoso fez ainda questão de deixar agradecimentos a toda a estrutura do clube, desde dirigentes e colaboradores a treinadores e atletas, e destacou de forma particular o jogador Miguel Maga, elogiando a sua dedicação e profissionalismo. “Foi o melhor exemplo do que é um atleta profissional”, referiu.

No plano global, o presidente salientou o crescimento do futebol feminino, a evolução das modalidades e o trabalho desenvolvido em contexto de dificuldades financeiras. “Foi tanto em tão pouco tempo. É um orgulho ter liderado a direção do Vitória SC que teve os melhores resultados de sempre”, afirmou.

A terminar, deixou uma mensagem aos sócios: “Nunca abandonem este grande clube e nunca deixem de ser exigentes. São vocês a força e a alma do Vitória SC”. A saída de António Miguel Cardoso marca assim o fim de um ciclo na liderança dos vimaranenses, abrindo caminho para uma nova fase na história do clube.

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